10 de Janeiro de 2013 / às 13:37 / 5 anos atrás

ESTREIA-"Barbara" recupera memórias da Alemanha Oriental dos anos 1980

SÃO PAULO, 10 Jan (Reuters) - Vencedor do Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim 2012 com o drama “Barbara”, o diretor alemão Christian Petzold pratica um cinema rigoroso, econômico, mas capaz de somar detalhes para um impacto emocional que se produz adiante.

Autor também do roteiro, Petzold delineia calmamente o universo de Barbara (Nina Hoss), médica que, nos anos 1980, pede autorização para deixar a Alemanha Oriental e é punida pelo regime.

Tratando sua atitude como um ato impatriótico, o governo a obriga a deixar seu emprego em Berlim, desterrando-a para uma cidadezinha do interior, onde ela deverá trabalhar num pequeno hospital, em condições bem mais precárias.

Sólida e controlada, Barbara não deixa transparecer qualquer sentimento diante de uma situação vulnerável, que a coloca como alvo de uma vigilância constante, ainda que nem sempre visível.

Ela não sabe se pode confiar em seus colegas, muito menos em seu chefe, o médico André (Ronald Zehrfeld), por mais que ele se mostre solícito. Qualquer um pode ser um espião disposto a colaborar com o insistente oficial da Stasi, a polícia secreta local, Schütz (Rainer Bock).

Nesse contexto claustrofóbico, a solidão é um fardo para Barbara, assim como o medo. Ela não abriu mão de um plano de fuga do país, procurando juntar-se ao seu namorado do lado ocidental, Jörg (Mark Waschke).

Um projeto cujas pistas --como o dinheiro guardado-- ela precisa esconder cuidadosamente das frequentes revistas em seu apartamento lideradas por Schutz.

Quem finalmente quebra o gelo de Barbara é uma paciente, a adolescente Stella (Jasna Fritzi Bauer). Como a médica, a menina é prisioneira de uma instituição estatal aonde se recolhem rebeldes como ela.

Fugitiva frequente, apesar das punições físicas duras, ela agora está grávida e teme pela vida do bebê, caso seja devolvida ao lugar. É no desdobramento da relação da médica com Stella que a história abre espaço à revelação de aspectos inesperados e se prepara um final inesperado, um verdadeiro clímax.

“Barbara” faz boa companhia a “A Vida dos Outros”, de Florian Henckel Von Donnersberg, vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 2007, e também a “Se não nós, quem?” (2011), de Andres Veiel, entre as produções alemãs que exorcizam o passado recente da Alemanha, evidenciando o vigor de um novo cinema alemão.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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