23 de Janeiro de 2013 / às 15:17 / em 5 anos

Dustin Hoffman, 75, fala da sua estreia como diretor

Por Zorianna Kit

Ator norte-americano Dustin Hoffman segura pirulito que pegou de um fotógrafo durante sessão de fotos para promover seu filme “O Quarteto”, no festival de cinema de San Sebastian, em setembro de 2012. 29/09/2012 REUTERS/Vincent West

LOS ANGELES, 23 Jan (Reuters) - Aos 75 anos, o premiado ator Dustin Hoffman passou para trás das câmeras e estreia na direção com o filme britânico “O Quarteto”, sobre um grupo de cantores líricos aposentados, que estreia na quarta-feira nos EUA.

Hoffman falou à Reuters sobre dirigir filmes, sobre ópera e sobre por que levou tanto tempo para passar ao outro lado da câmera.

P.: Você tentou estrear na direção em 1978, com o drama policial “Liberdade Condicional”. O que aconteceu?

R.: Selecionei o elenco, comecei a rodar e estava atuando e dirigindo. Mas não tínhamos playback . Eu não conseguia esperar dois dias para saber como eu tinha feito, então me demiti como diretor e um amigo meu (Ulu Grosbard) assumiu. É um dos melhores filmes dos quais participei, e um dos melhores trabalhos de atuação que fiz, mas foi um erro do qual me arrependo . Eu deveria ter insistido porque provavelmente teria continuado a dirigir.

P.: E agora você é um diretor estreante aos 75 anos. O que o atraiu para esse projeto em particular?

R.: Gostei da ideia de pessoas que não estão mais no seu auge, que estiveram anteriormente no seu pico de excelência. Soube que o roteirista se inspirou em um documentário chamado “Tosca’s Kiss”, sobre um lar para cantores de ópera e músicos aposentados, em Milão. Era tão pungente porque eles não conseguiam mais fazer o que antes faziam de forma tão brilhante. Agora eles estavam em um lar para aposentados, e se recusavam a se aposentar espiritualmente, isso me pegou.

P.: Você sentiu algum paralelismo com sua própria vida?

R.: Não especificamente. Até agora, o vigor não foi embora de mim. Na verdade, a prova disso é que dirigir exige muito vigor. Mas eu digo brincando coisas do tipo: “Tudo bem, não trabalho à noite, não trabalho no frio, não trabalho no molhado. Já fiz tudo isso”. Não vou passar a noite em um rio de água congelando como fiz uma vez num filme. Mas se aparecer um roteiro que tiver tudo isso e for um grande papel, com certeza eu faço.

P.: Você sabia muito sobre ópera antes de encarar o tema em “O Quarteto”?

R.: Não, não sabia, mas uma das primeiras pessoas com quem eu morei foi Robert Duvall. Ambos éramos atores em dificuldades durante anos em Nova York, e precisávamos arrumar mais pessoas para dividir o aluguel. Ele tinha um irmão que era cantor de ópera aspirante, que tinha alguns amigos cantores de ópera. Então de repente lá estou eu morando com três cantores de ópera. Assim eu os conheci.

P.: Agora que estreou oficialmente como diretor, como se sente?

R.: Quando você chega a ter vivido três quartos de século, há algo ofensivo nisso do ponto de vista da sociedade. “Acabou”, essa é a atitude. Não tenho certeza de que a cultura tenha acompanhado os indivíduos que, no que me diz respeito, ainda estamos no nosso segundo ato. O interessante é que a sensação não se limita a dizer: “Ei, talvez eu vá dirigir, ou talvez vá correr uma maratona.” Tudo se abre. Tudo se torna não só uma possibilidade, mas fica a um passo da realidade.

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