7 de Março de 2013 / às 13:42 / em 5 anos

Bailarino diz que não queria ataque com ácido contra diretor do Bolshoi

Por Maria Tsvetkova

Pavel Dmitrichenko olha pela grade de gaiola usada como cela para réu durante audiência, em Moscou. O bailarino do balé Bolshoi, acusado de organizar um ataque que deixou o diretor artístico do teatro russo quase cego, afirmou no tribunal que queria que a vítima fosse espancada, mas não atacada com ácido no rosto. 07/03/2013 REUTERS/Maxim Shemetov

MOSCOU, 7 Mar (Reuters) - O bailarino do balé Bolshoi Pavel Dmitrichenko, acusado de organizar um ataque que deixou o diretor artístico do teatro russo quase cego, afirmou no tribunal, nesta quinta-feira, que queria que a vítima fosse espancada, mas não atacada com ácido no rosto.

Um juiz de Moscou ordenou que Dmitrichenko permaneça sob custódia por seis semanas, enquanto as autoridades continuam a investigar o ataque de 17 de janeiro, que surpreendeu a Rússia e deixou o poderoso diretor de balé, Sergei Filin, com queimaduras graves no rosto e nos olhos.

Levado a um tribunal de Moscou sob escolta, Dmitrichenko disse que tinha concordado quando o suposto cúmplice, acusado de realizar o ataque, sugeriu espancar Filin, mas não havia dito a ele para jogar ácido no rosto do diretor.

“Quando soube o que aconteceu com Sergei, fiquei em estado de choque. Eu não podia acreditar que o homem que propôs bater nele fez essa coisa com ácido”, disse Dmitrichenko, vestido com um casaco de inverno com capuz preto e um suéter listrado, falando atrás das grades de uma gaiola no tribunal.

Dmitrichenko, que fez carreira interpretando vilões como o monarca assassino Ivan, o Terrível, disse que quando o agressor propôs “bater nele (Filin) na cabeça, espancá-lo, concordei com estas sugestões.”

Um agressor mascarado chamou o nome de Filin quando este voltava para casa do teatro Bolshoi, na noite de 17 de janeiro, e jogou ácido em seu rosto, o deixando contorcendo-se de dor na neve.

Dmitrichenko foi preso na terça-feira e admitiu ter organizado o ataque em um vídeo divulgado pela polícia na quarta-feira, mas disse que não queria que tivesse ido tão longe.

O juiz concordou com o pedido do Ministério Público, que considerou Dmitrichenko como um risco de fuga e ordenou que fosse mantido sob custódia até meados de abril. O bailarino disse que não iria recorrer.

A polícia de Moscou disse nesta quinta-feira que Dmitrichenko pagou 50.000 rublos (1.600 dólares) a seus supostos cúmplices.

Um promotor afirmou que o Estado quer que o bailarino, que a mídia russa afirma ter 28 anos, seja acusado de um crime punível com até 12 anos de prisão.

Reportagem adicional de Gabriela Baczynska

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