9 de Julho de 2013 / às 14:23 / em 4 anos

Governo russo demite diretor do Bolshoi, 6 meses após ataque com ácido

Por Timothy Heritage e Maria Tsvetkova

Diretor-geral do Teatro Bolshoi, Anatoly Iksanov, durante coletiva de imprensa em Moscou. Anatoly Iksanov foi substituído por Vladimir Urin, experiente gestor teatral encarregado de reconstruir a reputação do Bolshoi, após uma trama de bastidores com reviravoltas dignas de uma obra teatral. A demissão do diretor-geral era praticamente inevitável desde que um homem mascarado e portando um frasco de ácido sulfúrico deixou quase cego o coreógrafo Sergei Filin, num caso que expôs as profundas rivalidades dentro do Bolshoi. 19/03/2013. REUTERS/Maxim Shemetov

MOSCOU, 9 Jul (Reuters) - O governo russo demitiu na terça-feira o diretor do Teatro Bolshoi, uma instituição reverenciada, mas assolada por escândalos, como o ataque com ácido cometido por um dançarino contra seu coreógrafo há seis meses.

Anatoly Iksanov foi substituído por Vladimir Urin, experiente gestor teatral encarregado de reconstruir a reputação do Bolshoi, após uma trama de bastidores com reviravoltas dignas de uma obra teatral.

A demissão do diretor-geral era praticamente inevitável desde que um homem mascarado e portando um frasco de ácido sulfúrico deixou quase cego o coreógrafo Sergei Filin, num caso que expôs as profundas rivalidades dentro do Bolshoi.

O bailarino Pavel Dmitrichenko, que interpretou vilões em montagens famosas, confessou depois ser o mandante do crime, mas disse que a intenção não era atingir o rosto de Filin.

Fontes do teatro disseram que a demissão de Iksanov foi acelerada por uma nova polêmica, desta vez em torno da decisão de não dar o papel principal de uma nova produção a uma primeira-bailarina admirada pelo presidente Vladimir Putin.

“Uma situação difícil se desenvolveu no teatro e na trupe, e tudo apontava para a necessidade de renovação no teatro”, disse o ministro da Cultura, Vladimir Medinsky, em entrevista coletiva na sede do Bolshoi, um elegante edifício cor de creme, com oito colunas na fachada, perto da praça Vermelha e do Kremlin.

Medinsky disse que Urin “poderá unir a trupe e continuar o desenvolvimento do melhor teatro no país e de um dos melhores do mundo”.

Iksanov, de 61 anos, estava sentado ao lado do ministro, numa tentativa de transmitir unidade, mas parecia solene e não falou quase nada, a não ser agradecer à companhia por sua gestão de 13 anos.

Apesar dos elogios ditos por Medinsky e outros, não havia dúvidas de que ele havia sido derrubado, pois faltava mais de um ano para o seu contrato vencer.

Iksanov também estava sendo pressionado por causa de uma suntuosa reforma que durou seis anos e custou 700 milhões de dólares, muito mais do que o previsto.

Urin, de 66 anos, disse que não planeja “nenhuma revolução” no Bolshoi, fundado em 1776. “Só juntos poderemos resolver os problemas que, como em qualquer teatro, existem hoje no Teatro Bolshoi.”

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