23 de Outubro de 2013 / às 12:34 / 4 anos atrás

Artista expõe pombos traficantes de charutos cubanos em NY

Por Luke Swiderski

Artista Duke Riley examina seu pombo Johnny Dinamite enquanto se prepara para exibição na Galeria Magnan Metz, em Nova York, 21 de outubro de 2013. Graças ao artista Duke Riley, o aparato norte-americano de vigilância aérea enfrenta novos inimigos voadores: pombos-correios. Riley treinou pombos para contrabandear charutos de Havana para Key West, na Flórida, enquanto outras aves filmaram a viagem de 160 quilômetros com câmeras especiais. 21/10/2013 REUTERS/Brendan McDermid

NOVA YORK, 23 Out (Reuters) - Graças ao artista Duke Riley, o aparato norte-americano de vigilância aérea enfrenta novos inimigos voadores: pombos-correios.

Riley treinou pombos para contrabandear charutos de Havana para Key West, na Flórida, enquanto outras aves filmaram a viagem de 160 quilômetros com câmeras especiais. Os pombos e seus vídeos serão exibidos em uma exposição individual de Riley, que começa em 1º de novembro na galeria Magnan Metz, em Nova York.

O artista, de 41 anos, disse que o projeto surgiu em parte como uma tentativa de desafiar a ideia de que os EUA têm uma capacidade total de vigilância. Ele começou com 50 aves -- metade delas como contrabandistas, a outra metade como documentaristas.

“Muitas das obras que faço buscam criar alguma sensação de possibilidade ou empoderamento, de forma humorística e romantizada, usando os meios mais simples possíveis”, disse Riley.

Essa foi também uma maneira de Riley protestar contra o embargo imposto desde 1962 pelos EUA contra Cuba. Por causa disso, os cobiçados charutos cubanos são proibidos em território norte-americano.

Riley disse que convive com pombos desde a infância, e que passou anos pesquisando o papel deles no transporte de informações para militares, o que perdurou até a Guerra do Vietnã.

O artista já se envolveu em confusões por causa das suas intervenções. Em 2007, ele foi detido pela Guarda Costeira ao se aproximar do transatlântico Queen Mary, que estava atracado em Nova York, a bordo de um improvisado submarino de madeira da época da guerra de independência dos EUA.

Na ocasião, Riley disse que essa era uma intervenção artística destinada a criticar a “guerra ao terror” travada pelo governo de George W. Bush e a elitização do bairro do Brooklyn, onde ele trabalha como tatuador.

Riley não se incomoda em flertar com a ilegalidade nos seus projetos. “Se você é um artista e não assume riscos, você na verdade está apenas se masturbando”, disse. Mas é discreto ao falar sobre o vaivém de pombos entre os EUA e Cuba.

Menos de metade das aves treinadas por ele participou da missão. E, das 23 que foram, só 11 regressaram, trazendo consigo seis Cohibas que agora estão protegidos por resina e expostos na mostra.

Um 12º pombo caiu no porto de Havana, em circunstâncias obscuras, e conseguiu voltar vivo para os EUA, mas sem sua carga.

“Imagino que as autoridades cubanas ficariam sensíveis à ideia de pombos norte-americanos sobrevoando com câmeras -- que isso causaria algum alarme”, disse Riley, sorrindo. “Mas estou só especulando.”

Os pombos de Riley estão atualmente se reproduzindo. Quais os planos do artista para as crias? “Treiná-los para contrabandear mais charutos”, disse Riley, gargalhando. “Ou cocaína da Colômbia.”

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