14 de Abril de 2014 / às 19:48 / 4 anos atrás

Reuters ganha prêmio Pulitzer por reportagem sobre Mianmar

Por Ellen Wulfhorst

NOVA YORK, 14 Abr (Reuters) - A Reuters ganhou um Prêmio Pulitzer pela reportagem internacional sobre a violenta perseguição de uma minoria muçulmana em Mianmar, anunciou nesta segunda-feira o Conselho do Prêmio Pulitzer, da Universidade Columbia.

O conselho elogiou Jason Szep e Andrew R.C. Marshall, da Reuters, pelas “reportagens corajosas” sobre os rohingya, que em seus esforços para fugir do país do Sudeste Asiático “muitas vezes são vítimas de redes que exploram o tráfico de seres humanos”.

O editor-chefe da Reuters, Stephen Adler, disse em comunicado que estava “imensamente orgulhoso” com a “série de alto impacto”.

“Por dois anos, os repórteres da Reuters investigaram incansavelmente abusos terríveis aos direitos humanos em um canto esquecido do mundo muçulmano, levando as dimensões internacionais dos oprimidos rohingya de Mianmar para a atenção global”, disse ele.

Szep, de Washington, disse: “O assunto sobre o qual estávamos escrevendo era pouco noticiado. Espero que depois disso, haja uma maior atenção da comunidade internacional sobre os riscos e a presença da violência religiosa em Mianmar”.

Trata-se do primeiro Prêmio Pulitzer da Reuters por reportagem de texto. A agência também foi finalista na categoria de reportagem investigativa por expor um mercado clandestino na Internet onde os pais podiam ignorar regras de bem-estar social e se livrar de crianças adotadas que não queriam mais.

O Guardian US e o Washington Post receberam cada um o Prêmio Pulitzer de serviço público por sua cobertura dos casos de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Suas reportagens se basearam em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden, que revelou detalhes da vigilância eletrônica mundial da agência de espionagem norte-americana.

O conselho disse que a reportagem do Guardian US ajudou a abrir o debate sobre a relação entre o governo dos EUA e o público sobre questões de segurança e privacidade e de informação, e que o Post explicou como as revelações se encaixam em um quadro mais amplo da segurança nacional.

Reportagens sobre o vazamento, que começou em junho, provocaram um debate internacional sobre os limites da vigilância do governo e levaram o presidente dos EUA, Barack Obama, a introduzir restrições sobre os poderes de espionagem da NSA no início deste ano.

“Estamos particularmente gratos por nossos colegas em todo o mundo que apoiaram o Guardian, em circunstâncias que ameaçavam sufocar a nossa reportagem”, disse o editor-chefe do Guardian, Alan Rusbridger, em um comunicado.

“E nós compartilhamos essa honra não só com nossos colegas do Washington Post, mas também com Edward Snowden, que se arriscou muito pela causa do serviço público, hoje reconhecida pela atribuição deste prestigioso prêmio”, afirmou.

A Rússia concedeu asilo temporário a Snowden no ano passado, depois que o Departamento de Justiça dos EUA o acusou de violar a legislação do país sobre a espionagem.

O Boston Globe ganhou o Pulitzer por sua cobertura pioneira do atentado na Maratona de Boston em 2013 e a perseguição que se seguiu.

Os prestigiados prêmios, concedidos pela Universidade de Columbia, são entregues para 14 categorias de jornalismo, bem como teatro, música, poesia e livros.

Com o nome que homenageia o jornalista e editor Joseph Pulitzer, que deixou dinheiro para a fundação da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, os prêmios são decididos por um painel de 19 membros, incluindo executivos de órgãos de imprensa e acadêmicos.

Os prêmios Pulitzer podem atrair muita atenção e reconhecimento para jornais e sites que disputam os leitores no fragmentado setor da mídia, no qual muitas empresas estão com dificuldades econômicas e restrições de orçamento.

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