17 de Abril de 2014 / às 20:19 / em 4 anos

Escritor colombiano García Márquez morre aos 87 anos no México

Por Anahi Rama

O escritor Gabriel García Márquez acena a jornalistas e vizinhos no dia de seu aniversário, no lado de fora de sua casa, na Cidade do México, em 6 de março. 06/03/2014 REUTERS/Edgard Garrido

CIDADE DO MÉXICO, 17 Abr (Reuters) - O escritor colombiano Gabriel García Márquez, criador do realismo mágico latino-americano com seu emblemático livro “Cem Anos de Solidão”, morreu nesta quinta-feira em sua casa na Cidade do México aos 87 anos.

As causas da morte não estavam imediatamente claras, mas García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, esteve internado até a semana passada em um hospital da capital mexicana por uma infecção pulmonar e de vias urinárias.

Há uns dias, um jornal mexicano afirmou que o câncer linfático que ele sofreu anos atrás havia reaparecido e se espalhado para outras partes do corpo. Contudo, algumas pessoas próximas desmentiram e um dos médicos que atendia o escritor apenas disse na quarta-feira que o seu estado era “delicado”.

Fernanda Familiar, uma jornalista próxima à família que ajudava o escritor na sua relação com a imprensa, deu a notícia em sua conta do Twitter, confirmada mais tarde pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

No dia de seu aniversário, em 6 de março, o autor de “Amor nos Tempos do Cólera” e “Crônica de uma Morte Anunciada” saiu à porta de sua residência em um luxuoso bairro ao sul da capital mexicana para agradecer às pessoas que foram cumprimentá-lo, como fazia todos os anos, mas seus movimentos não tinham muita coordenação.

Essa foi a última vez que foi visto em público. Nesta quinta-feira, um carro fúnebre deixou sua casa com o corpo do escritor.

García Márquez, que revolucionou as letras hispânicas dando dimensão universal ao realismo mágico, se somou à lista dos latino-americanos premiados com o Nobel de Literatura, ao lado dos chilenos Gabriela Mistral e Pablo Neruda e do guatemalteco Miguel Angel Asturias.

Ele é um dos literatos mais famosos, prolíficos e queridos da América Latina, que descreveu com uma pluma singular mesclando o cotidiano com o irreal.

Sua obra mais conhecida, “Cem Anos de Solidão”, publicada em 1967, foi traduzida em dezenas de idiomas e é estudada em diversas universidades do mundo como um dos pilares do realismo mágico.

Em toda a América Latina figuras culturais e políticas lamentaram a perda do símbolo do boom latino-americano do século 20.

A presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota de pesar pela morte de García Márquez, “dono de um texto encantador”.

“Gabo, como era conhecido, conduzia o leitor pelas suas Macondos imaginárias como quem apresenta um mundo novo a uma criança. Seus personagens singulares e sua Colômbia e América Latina exuberantes permanecerão marcados no coração e na memória de seus milhões de leitores”, afirmou Dilma.

Além do presidente colombiano, outros mandatários também enviaram suas condolências, como Enrique Peña Nieto, do México, Rafael Correa, do Equador, e Ollanta Humala, do Peru.

Até um dos homens com o qual estava mais distante por questões pessoais e ideológicas, o escritor peruano Mario Vargas Llosa se despediu de seu colega.

“Morreu um grande escritor. Suas obras deram grande difusão e prestígio à literatura. Seus romances sobreviverão e continuarão ganhando leitores em toda parte”, disse o Prêmio Nobel peruano, que é considerado o último grande escritor deste “boom”, segundo o jornal El Comercio.

A cantora popular colombiana Shakira postou em seu Twitter uma foto em que aparece abraçando García Márquez.

“Querido Gabo, uma vez disseste que a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda... Sua vida, querido Gabo, será lembrada como um presente único e irrepetível e como o mais original dos relatos”.

Amigo do líder cubano Fidel Castro, o escritor colombiano nunca escondeu suas ideias de esquerda. “A cultura latino-americana está de luto, morreu Gabriel García Márquez”, diz o Granma, jornal do governista Partido Comunista de Cuba, em sua página na Internet.

Reportagem adicional de Peter Murphy e Luis Jaime Acosta, em Bogotá; de Estebal Israel, em São Paulo; de Patricia Vélez, em Lima; e de Noé Torres, na Cidade do México

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