20 de Maio de 2008 / às 13:18 / 10 anos atrás

Aos 30 anos, Datasul tenta se voltar mais às origens

Por Taís Fuoco

JOINVILE, Santa Catarina (Reuters) - Trinta anos depois de sua fundação, como uma das primeiras empresas de software do país em um momento em que não existia o PC, a Datasul mostra intenção de voltar às origens e tenta se manter mais na posição compradora que de alvo de aquisição em um segmento em franca consolidação.

O fundador da companhia, Miguel Abuhab, admite: “não estou satisfeito” com o perfil muito mais de empresa de software que de consultoria que a Datasul ganhou nos últimos 20 anos. Para ele, no entanto, “ainda dá tempo” de mudar o caminho, já que a empresa está envolvida em uma estratégia de aquisições com as quais completa a oferta para ser parceira de negócios de seus clientes.

A insatisfação do executivo, que hoje ocupa a presidência do conselho de administração da empresa, não está ligada aos resultados financeiros da companhia. Segundo ele, em 30 anos, a Datasul só registrou números vermelhos na última linha do balanço em 1998. No primeiro trimestre deste ano, a empresa teve lucro líquido 6,1 por cento maior em relação ao mesmo período de 2007, para 8,4 milhões de reais.

Ele pondera, entretanto, que “o software em si não ajuda nada em uma empresa, a tecnologia só vale se mudar as regras do negócio” e ele avalia que a Datasul só teve esse papel de consultoria de negócios em seus 10 primeiros anos de existência.

“Nos últimos 20 anos ela foi muito mais uma empresa de software”, seguindo os rumos que o segmento de sistemas de gestão tomou em todo o mundo.

Ele critica que, nesse modelo, as empresas são remuneradas pela venda de licenças e pelos serviços de implementação, e não pelo resultado, modelo que, na sua avaliação, não é bom para os clientes.

OFERTAS DE COMPRA

Nesse período, a Datasul recebeu propostas de compra de todo o tipo, de acordo com o fundador, tanto de rivais nacionais como de multinacionais. Um desses casos aconteceu na década de 1980, quando a PricewaterhouseCoopers decidiu comprar a Datasul e levar seu fundador para seus quadros de executivos.

Miguel afirmou, em entrevista na sexta-feira, que foram dezenas de reuniões e que todos acreditavam que a transação já era certa, mas no último momento ele voltou atrás e manteve a companhia que fundou sozinho sob seu controle. Não só não vendeu para a Price como atraiu para a Datasul o diretor da consultoria envolvido nas negociações.

Desde a abertura de capital no Novo Mercado, em 2006, a companhia comprou diversas desenvolveras de pequeno porte para complementar sua oferta. E o impulso aquisitivo continua, segundo ele, com a empresa ainda buscando “oportunidades”.

O professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando Meirelles, no entanto, acha que essa estratégia não é suficiente para garantir que a empresa seja uma das sobreviventes do processo de consolidação por que passa o mercado de software de gestão.

Em meio a transações de grande porte no mundo, como a compra da Peoplesoft pela Oracle, e mesmo nacionais, como a aquisição da RM Sistemas pela Microsiga (atual Totvs ), Meirelles acredita que “nesse mercado vão sobrar duas ou três empresas mundiais e duas ou três locais”.

Na pesquisa anual do uso de informática pelas empresas do país coordenada por Meirelles e divulgada na semana passada, a Datasul figura em quarto lugar em relação a pacotes integrados de software de gestão adotados.

A Totvs lidera o resultado com 24 por cento de presença, a alemã SAP em segundo, com 23 por cento, a norte-americana Oracle com 17 por cento e a Datasul com 16 por cento.

“As quatro maiores têm 80 por cento do mercado, mas todas ainda buscam o modelo ideal de negócios”, afirmou Meirelles.

INTERNET PODERÁ TRAZER NOVO LÍDER

Para Abuhab, a Internet vai obrigar todas as empresas do setor a rever seus modelos.

O cliente agora não precisa mais dispor dos servidores em suas dependências ou carregar softwares pesados nas máquinas de sua equipe. Pode fazer as mesmas coisas através de conexões com a Web.

Abuhab defende que sempre que surge uma nova tecnologia, há espaço para um novo líder. “Não sei se será a Datasul, pode ser o Google, a Salesforce.com, mas a história mostra que não será o mesmo de hoje.”

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