17 de Abril de 2008 / às 17:41 / em 9 anos

Especialistas dividem-se sobre riscos do "ciberterrorismo"

Por Mark Trevelyan

LONDRES (Reuters) - Especialistas internacionais apelaram na quarta-feira por maior cooperação no combate às ameaças que pairam sobre as redes de computadores, mas divergiram quanto à definição de “ciberterrorismo”, e um importante funcionário britânico do setor de segurança o descreveu como “mito”.

O ministro da Defesa da Estônia, Christian-Marc Liflander, disse que ataques eletrônicos sustentados contra o seu país, no ano passado, foram praticados tanto por crackers comuns quanto por “ciberterroristas” sofisticados, que manipulavam a distância computadores zumbis integrados em redes conhecidas como botnets.

“Eu diria que entramos na era do terrorismo cibernético, e talvez na da guerra cibernética”, disse Liflander em uma conferência sobre segurança no Royal United Services Institute, em Londres.

A Estônia afirmou acreditar que o governo da Rússia estivesse por trás dos ataques do ano passado, que surgiram em meio a uma disputa diplomática sobre a decisão de Tallinn de transferir um monumento de guerra soviético.

Mas Liflander disse que os ataques de botnets vieram de computadores em 76 diferentes países e que é difícil provar quem os patrocinou. “O que temos é simplesmente um gazzilhão de endereços IP que não provam coisa alguma.”

O efeito dos ataques foi a paralisação de sites e sérias perturbações em serviços essenciais como bancos em um dos países com nível mais elevado de uso de Internet no mundo.

Mas nem todos concordam que o termo “ciberterrorismo” seja a melhor maneira de descrever ataques eletrônicos como esses.

Stephen Cummings, diretor do Centre for the Protection of National Infrastructure, uma agência de segurança do governo britânico, disse que não havia visto provas que sugerissem que terroristas estejam determinados a empregar ataques cibernéticos para gerar impacto tão devastador quanto o de seus ataques físicos.

“Creio que debater o ciberterrorismo desvia nossa atenção das ameaças terroristas mais prementes, que continuam a ser físicas”, disse ele, em uma apresentação na qual um slide sustentava que “ciberterrorismo é um mito”. Apesar disso, Liflander disse à Reuters que a Estônia vai revelar uma estratégia nacional de cibersegurança nas próximas duas semanas para melhor proteção de infra-estruturas e redes importantes. A idéia é definir “padrões mínimos que todas as empresas terão que adotar”.

Ele descreveu a defesa contra os ciberataques do ano passado como um jogo de gato e rato.

“Os ataques foram muito rápidos e por isso você tem que ser muito ágil na resposta a eles. E a sua resposta somente será limitada se você a executar em escala nacional. É preciso que a resposta aconteça em nível internacional também.”

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