19 de Dezembro de 2016 / às 18:24 / em 10 meses

Venda de moedas digitais cresce, mas falta de regulamentação gera questionamentos

NOVA YORK (Reuters) - Um pequeno, mas crescente número de startups de tecnologia digital está arrecadando fundos ao criar e vender suas próprias moedas em ofertas que ignoram bancos ou empresas de venture capital como intermediários e estão fora do alcance de reguladores financeiros.

Investidores estão sendo atraídos por expectativas de que tais “ofertas iniciais de moedas” irão igualar ou superar a performance da primeira moeda digital, a bitcoin.

Para os vendedores, o apelo de comercializar as próprias moedas, ou fichas, para arrecadar dinheiro é enorme. Não há papelada como a exigida para uma venda de ativos públicos.

Mas a falta de supervisão regulatória está levantando sinais de alerta entre alguns especialistas do mercado e advogados de tecnologia financeira, e há até mesmo aqueles que estão questionando a legalidade das fichas.

Joe Zhou disse que precisou de apenas 58 segundos para vender fichas o suficiente para atingir a meta de quase 5,5 milhões de dólares em arrecadação de fundos para o FirstBlood, site de jogos online do qual é cofundador.

“Nós esperávamos que a venda durasse um mês e nós até demos descontos para as pessoas que participaram antecipadamente porque não tínhamos certeza de como seria”, disse Zhou.

As fichas vendidas pelo FirstBlood, como aquelas vendidas por outras empresas, são as moedas necessárias para jogar na plataforma, por exemplo, ou para obter recompensas por referências.

As transações são contabilizadas através da blockchains, um livro de registros que surgiu como o software de apoio da bitcoin e é mantido por uma rede de computadores na internet. A Blockchain ganhou força em Wall Street e na economia real, encorajada pela capacidade da tecnologia em registrar e rastrear o movimento de ativos.

As empresas que estão levantando capital através da venda de fichas estão todas operando no espaço blockchain.

O mercado ainda é pequeno, mas tem crescido em ritmo acelerado. Cerca de 225 milhões de dólares foram arrecadados até o momento este ano em 40 ofertas iniciais de moedas (ICOs, na sigla em inglês), ante apenas 9,8 milhões de dólares em 2015, mostraram dados da empresa de pesquisa sobre criptomoedas Smith + Crown.

AS ICOS SÃO LEGAIS?

O crescimento acelerado traz fortes variações nos preços das moedas negociados em bolsas de ativos digitais, como a Bittrex, e investidores não têm outro recurso ou meios de recuperar o capital perdido.

“O que as pessoas estão vendendo são somente fichas de internet que não têm valor, nenhum significado legal e não representam ativos”, disse Preston Byrne, diretor de operações e conselheiro geral da Monax Industries, uma empresa de tecnologia que desenvolveu uma plataforma baseada em transações autoexecutáveis chamadas contratos inteligentes.

Algumas pessoas dizem que as ICOs podem ser ilegais porque as empresas estão vendendo fichas que podem ser consideradas ativos monetários, o que está sob jurisdição do órgão regulador de valores mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).

A SEC não quis comentar.

Por Gertrude Chavez-Dreyfuss

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