11 de Julho de 2017 / às 20:20 / 2 meses atrás

Google inclui povos da Amazônia em renovação do Google Earth

Índio Tembe canta no lançamento do novo Google Earth em São Paulo 11/07/2017 REUTERS/Leonardo Benassatto

SÃO PAULO (Reuters) - O Google lançou nesta terça-feira projeto “Eu Sou Amazônia”, iniciativa que marca a remodelação do Google Earth, em uma aposta para transformar o aplicativo em mais um espaço de produção de conteúdo dentro dos canais da empresa.

O lançamento marca a nova fase do Google Earth, que há dois meses está disponível como aplicativo para desktop, celulares Android e também para acesso no navegador Chrome.

A iniciativa “Eu Sou Amazônia” mapeou 11 locais em diversas partes na Amazônia com a ajuda de equipes como a produtora O2, do cineasta Fernando Meirelles, e o Instituto SocioAmbiental (ISA), abordando a relação da floresta e seus povos com questões como alimento, água e origens culturais.

Para contar as histórias de comunidades como a dos povos Yanomami, Cinta Larga e da comunidade quilombola Boa Vista, o Google utilizou ferramentas como câmeras em 3D e recursos técnicos no mapa que acompanham o que está sendo mostrado em vídeos e textos com imagens de satélite.

“Esta é uma nova técnica e acho que estamos apenas começando a encontrar maneiras de contar histórias com vídeos, textos e mapas. Com todas essas imagens em alta qualidade e em 3D, nós montamos a réplica mais realista e atraente do planeta. Isto é muito inovador”, disse a diretora de Earth do Google, Rebecca Moore, à Reuters.

Entre as principais mudanças da plataforma está a seção Viajantes, que concentra os conteúdos interativos como a iniciativa Eu Sou Amazônia. Nela, é possível explorar o mapa acompanhando vídeos, imagens em 360º e textos produzidos especificamente para a área escolhida. Para navegar, os usuários podem escolher entre diversos tópicos, como Educação, Natureza, Cultura e Histórico.

A empresa não revela o orçamento dedicado ao projeto, que contou com filmagens na Amazônia, além de equipamentos, investimento em tecnologia e treinamento de pessoal. No entanto, Moore afirmou que a companhia não tem intenção de monetarizar a nova plataforma de nenhuma maneira.

“Em termos de orçamento, o Google tem uma boa receita oriunda de publicidade, nem tudo o que fazemos precisa dar lucro”, disse ela.

O Google pretende tornar o Google Earth uma plataforma aberta para que usuários contem histórias sobre o que desejarem, mostrando seus locais favoritos aos amigos ou compartilhando publicamente.

“Neste momento nós só concedemos estas ferramentas a nossos parceiros mais próximos, mas estamos simplificando o uso e vamos distribuí-las para todos ao redor do mundo”, disse Moore. “Nós queremos milhões de histórias nos próximos 2 ou 3 anos.”

Por Natália Scalzaretto

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