2 de Agosto de 2017 / às 16:44 / em 4 meses

Vivendi pode evitar venda de participação na Mediaset com um trust

MILÃO (Reuters) - O grupo de mídia francês Vivendi poderia evitar a venda de sua participação de 20 por cento na Mediaset colocando-as em um trust, disse uma fonte do AGCOM, órgão que fiscaliza as comunicações na Itália, nesta quarta-feira.

Sede da Vivendi em Paris, França 10/03/2016 REUTERS/Charles Platiau

O AGCOM disse em abril que a crescente participação da Vivendi na Mediaset e no grupo de telefonia Telecom Italia violava as regras que previnem uma concentração de poder no setor de mídia e telecomunicações do país. O regulador exigiu que o grupo francês reduzisse sua participação em uma das duas empresas para menos de 10 por cento.

A Vivendi é a maior acionista individual da Telecom Italia, com 24 por cento, e também possui 29,9 por cento de ações de voto na Mediaset, tornando a francesa a segunda maior investidora da maior emissora privada da Itália, atrás apenas da família do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi.

“O AGCOM prefere que a Vivendi venda a participação acima de 10 por cento. Contudo, se a empresa transferir as ações para um trust configurado apropriadamente, mas realmente corretamente, isso pode ser permitido”, disse à Reuters uma fonte diretamente relacionada ao assunto.

A única condição seria que as ações transferidas nunca pudessem ser usadas pelo grupo francês para votar em reuniões de acionistas da Mediaset, segundo a fonte.

Liderada pelo bilionário Vincent Bollore, a Vivendi tem um ano para cumprir a determinação do AGCOM e evitar uma multa de até 5 por cento de sua receita - 540 milhões de euros. A Vivendi apresentou recurso em um tribunal administrativo italiano e a primeira audiência foi marcada para fevereiro de 2018.

Entretanto, o grupo precisa informar ao órgão como pretende cumprir a ordem de desinvestimento. Na terça-feira, o AGCOM disse que a Vivendi apresentou uma proposta para reduzir sua posição de influência na Mediaset, acrescentando que foram necessárias novas negociações para se certificar de que uma solução “estrutural” foi encontrada.

Por Giselda Vagnoni

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