7 de Agosto de 2017 / às 16:39 / 4 meses atrás

Google repudia declaração de funcionário contra diversidade

(Reuters) - Os executivos do Google se apressaram durante o fim de semana em repudiar um memorando de um engenheiro que atribuiu a desigualdade de gênero no setor de tecnologia a diferenças biológicas, uma visão que provocou indignação no gigante de internet e aumentou as tensões sobre assédio sexual e discriminação no Vale do Silício.

Sede do Google na França 6/12/2011 REUTERS/Jacques Brinon/Pool/File Photo

O engenheiro que não foi identificado afirmou em um documento de três mil palavras que circulou pela empresa na semana passada que “o viés de esquerda do Google criou uma monocultura politicamente correta” que coíbe discussões honestas sobre o assunto.

“A distribuição de preferências e habilidades entre homens e mulheres se difere em parte devido a causas biológicas, e essas diferenças podem explicar por que não vemos uma representação igual de mulheres em tecnologia e liderança”, escreveu.

A declaração alimentou o debate acalorado de meses sobre o tratamento concedido às melhores no Vale do Silício dominado por homens, depois dos escândalos de assédio sexual no Uber e várias empresas de capital de risco.

A recém-contratada vice-presidente de diversidade, integridade e governança do Google, Danielle Brown, enviou um posicionamento em resposta furor, dizendo que o engenheiro “avançou em suposições erradas sobre gênero”.

“Parte da construção de um ambiente aberto e inclusivo significa promover uma cultura em que aqueles com visões alternativas, incluindo diferentes pontos de vista políticos, se sintam seguros compartilhando suas opiniões”, afirmou Brown.

“Mas esse discurso precisa trabalhar ao lado dos princípios de igualdade de emprego encontrados em nosso Código de Conduta, nas políticas e leis anti-discriminação” acrescentou.

O vice-presidente de engenharia da empresa, Aristotle Balogh, também escreveu um comunicado interno criticando a declaração do funcionário, dizendo que “estereótipos e pressuposições prejudiciais” não poderiam desempenhar qualquer papel na cultura da empresa. Um porta-voz do Google disse à Reuters que as declarações de Brown e Balogh eram as respostas oficiais da empresa.

A controvérsia eclodiu no momento em que o Departamento de Justiça continua pressionando uma investigação de discriminação salarial baseada em gênero no Google, unidade da Alphabet. A empresa nega as acusações. O ocorrido também provocou o debate sobre os limites adequados da liberdade de expressão em ambientes corporativos.

Por Sam Forgione

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