23 de Novembro de 2017 / às 16:07 / em 22 dias

Oi quer atrair apoio de bancos públicos e agências de crédito para exportação, dizem fontes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O conselho de administração da Oi está tentando conseguir apoio dos credores estatais da operadora para seu plano de recuperação judicial, apesar de oposição de credores privados detentores de bônus da companhia, afirmaram três fontes com conhecimento da estratégia do grupo à Reuters.

Sede da Oi no Rio de Janeiro 22/06/2016 REUTERS/Sergio Moraes

Sob a liderança do empresário Nelson Tanure, o conselho da Oi está oferecendo aos bancos estatais Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil acordos para que as dívidas da empresa detidas por eles sejam pagas sem descontos, mas com prazo mais longo, disseram as fontes.

A proposta do conselho da Oi prevê que a empresa terá um período de carência de seis anos antes de fazer os pagamentos e depois mais 10 anos para quitar a dívida detida pelos bancos. Para melhorar a oferta, o conselho recentemente concordou em pagar uma fração dos juros anualmente durante o período inicial de seis anos, disse a uma das fontes. O conselho da Oi também está oferecendo ao Itaú BBA, divisão do Itaú Unibanco, o pagamento da dívida detida pelo banco sem descontos, com propostas similares para agências de crédito à exportação da Finlândia, Bélgica e China.

Juntos, esses grupos detêm 11 bilhões de reais em dívida da Oi, que pediu recuperação judicial em junho do ano passado listando dívida total de 65 bilhões de reais. Oi, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e FTI Consulting, que representa as agências de crédito para exportação, não comentaram o assunto. A Caixa não respondeu a pedidos de comentários.

A estratégia do conselho em selecionar credores específicos com propostas atraentes mostra como o colegiado da Oi espera obter o apoio necessário para reestruturar a dívida da companhia, apesar do relacionamento conturbado com grandes investidores que detêm bilhões de dólares em títulos de dívida da empresa.

As fontes afirmaram que além do apoio desses credores específicos, o conselho da Oi acredita que precisa do suporte de 20 a 25 por cento dos principais detentores de títulos da empresa para conseguir aprovar o plano de recuperação judicial, que sofreu modificações na quarta-feira depois de pressões da Anatel.

Os dois maiores grupos de principais detentores de títulos da Oi, que incluem investidores como Aurelius e Goldentree, já se manifestaram publicamente contra a proposta do conselho da Oi. Representantes destes grupos não responderam a pedidos de comentários para esta reportagem.

A primeira convocação da assembleia de credores da Oi para aprovação do plano de recuperação judicial foi marcada para 7 de dezembro. Além dos bilhões de dólares em jogo, a assembleia poderá definir o destino de uma operadora que emprega mais de 100 mil pessoas no país e fornece o único serviço de telefonia fixa para cerca de um terço dos 5.500 municípios do Brasil.

CONSTRUÇÃO DE ACORDO

As negociações antes da assembleia de credores essencialmente se dividiram em três frentes separadas nos últimos meses.

Os dois maiores grupos de detentores privados de títulos da Oi, que detém cerca de 22 bilhões de reais da dívida total da operadora, defendem uma proposta na qual aceitam trocar a dívida por 85 por cento do capital da Oi.

    O governo federal, que detém bilhões de reais em dívidas da Oi, considerando os bancos estatais e os 11 bilhões de reais devidos pela empresa à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), formou um grupo próprio de discussões e tem ameaçado com intervenção na empresa se as negociações fracassarem.

    O conselho de administração da Oi, enquanto isso, se aliou com um pequeno grupo de credores privados conhecido internamente como G6, que tem uma fração da dívida da empresa detida pelos principais detentores de títulos da operadora.

    Além de tentar obter apoio das instituições públicas e do Itaú Unibanco, o conselho da Oi busca o apoio um grupo relativamente pequeno de fornecedores da empresa que detém cerca de 2 bilhões de reais em dívidas da operadora, disseram as fontes.

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem 3,3 bilhões de reais a receber da Oi, também deve receber o valor integral das dívidas, por ser o único a deter dívida garantida da empresa. O banco de fomento não comentou o assunto.

    Se os credores não chegarem a uma conclusão na assembleia de 7 de dezembro, um novo encontro deverá ocorrer no dia seguinte. Uma segunda convocação está marcada para os dias 1 e 2 de fevereiro.

    A Oi poderá ser liquidada se os credores rejeitarem o plano de reestruturação da companhia, uma situação em que todas as partes envolvidas querem evitar, disseram as fontes, uma vez que credores e acionistas perderão mais no colapso da empresa que sob qualquer uma das propostas de recuperação judicial.

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