January 10, 2018 / 6:16 PM / 4 months ago

Empresas de computação em nuvem avaliam rivais da Intel após falhas de segurança

SÃO FRANCISCO, Estados Unidos (Reuters) - Alguns dos clientes da Intel na área de centros de processamento de dados, que utilizam milhares de computadores para oferecerem serviços de computação em nuvem, estão avaliando a utilização de chips de rivais da companhia na instalação de novas infraestruturas.

Logo da Intel durante exposição em Los Angeles, Estados Unidos 13/06/2017 REUTERS/ Mike Blake

A avaliação dos concorrentes ocorre depois da descoberta de falhas de segurança que afetam a maior parte dos chips. Se a Intel vir clientes trocando de plataforma ou for obrigada a oferecer descontos, a companhia poderá ser impactada em uma de suas unidades de negócios de crescimento mais acelerado. Os chips da Intel estão presentes em 98 por cento das operações de centrais de processamento de dados, segundos a empresa de pesquisa de mercado IDC.

Pesquisadores da área de segurança descobriram na semana passada falhas, chamadas de Meltdown e Spectre, que podem permitir que hackers roubem senhas ou chaves de codificação na maior parte dos computadores, incluindo celulares e servidores que processam serviços de computação em nuvem.

A Microsoft informou na terça-feira que reparos de software necessários para resolver as falhas podem ter um impacto significativo na performance de servidores.

A Intel vai ajudar clientes a encontrarem a melhor solução em termos de segurança, performance e compatibilidade, afirmou a empresa na terça-feira. “Para muitos clientes, o elemento performance é o mais importante e estamos focados em fazer tudo o que podemos para atender suas expectativas.”

As alternativas aos chips da Intel incluem processadores da rival AMD, que compartilha com a Intel uma arquitetura de microprocessadores chamada x86, ou chips baseados na arquitetura desenvolvida pela ARM ou chips de processamento gráfico, que são desenvolvidos para tarefas diferentes das especificadas para os processadores da Intel e da AMD.

Para a companhia de Gleb Budman, a empresa de armazenagem de dados online Backblaze, criar infraestruturas baseadas em chips da ARM não seria difícil.

“Se a ARM fornecer poder computacional suficiente a um custo baixo ou de consumo de energia mais baixo que o x86, seria uma grande incentivo para nós mudarmos”, disse Budman. “Se o reparo para o x86 resultar em queda dramática no nível de performance, isso pode nos empurrar para a ARM”, acrescentou.

A Infinitely Virtual, uma empresa de computação em nuvem baseada em Los Angeles, está contando que a Intel substitua equipamentos ou ofereça desconto para compensar a queda no poder de processamento, disse o presidente-executivo, Adam Stern.

“Se a Intel não fizer alguma coisa para corrigir isso, então vamos ter que puní-los no mercado e não comprar mais os produtos deles”, disse o executivo, cuja empresa depende exclusivamente dos chips da Intel.

Os chips da ARM não têm o mesmo poder de processamento dos dispositivos x86 para tarefas como buscas e softwares poderão ter que ser reescritos.

Os chips gráficos da Nvidia não são substituto direto dos chips da Intel, mas estão tomando lugar deles em novas tarefas como reconhecimento de imagem e de fala.

Grandes companhias de tecnologia têm testado alternativas aos chips da Intel mesmo antes das falhas de segurança terem sido tornadas públicas.

Em março do ano passado, a Microsoft afirmou que vai usar chips da ARM em seu serviço de computação em nuvem Azure, e em dezembro, a Azure implementou processadores da AMD em suas centrais de dados.

Em 2016, o Google afirmou que estava projetando um servidor baseado no chip Power9 da IBM. A Amazon escolheu processadores da AMD para um serviço de design gráfico anunciado em setembro.

Tanto a Qualcomm quanto a Cavium estão desenvolvendo chips baseados na tecnologia da ARM e voltados a centrais de processamento de dados. A Cavium afirmou que tem como meta rivalizar a performance dos chips da Intel em aplicações como bancos de dados e redes de entrega de conteúdo que são usadas em aplicações de vídeo pela internet.

Por Salvador Rodriguez e Stephen Nellis

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