October 25, 2019 / 7:40 PM / 25 days ago

Apesar de eficiência de robôs, habilidades humanas ainda importam no trabalho

NOVA YORK (Reuters) - A inteligência artificial está se aproximando de ter massa crítica no ambiente corporativo, mas humanos ainda são necessários, diz novo levantamento da empresa de desenvolvimento de executivos Future Workplace, em parceria com a Oracle.

A Future Workplace descobriu um salto de 18% no último ano no número de trabalhadores que usam inteligência artificial em alguma tarefa, representando mais da metade dos entrevistados.

A Reuters conversou com Dan Schawbel, diretor de pesquisa na Future Workplace e autor do bestseller “Back to Human” (“De Volta aos Humanos”) sobre os principais pontos da pesquisa e o futuro do trabalho.

P: O estudo revelou que 64% das pessoas confiam em um robô mais do que em seu gestor. O que robôs fazem melhor que gestores e o que os administradores podem fazer melhor que robôs?

R: O que os gestores podem fazer melhor são habilidades de sensibilidade: compreensão dos sentimentos do funcionário, servir de guia para a carreira dos funcionários, criar uma cultura de trabalho, coisas difíceis de mensurar, mas que afetam o dia-a-dia dos empregados.

As coisas que robôs fazem melhor são ligadas a habilidades objetivas: fornecer informação sem viés, manter escalas de trabalho, resolver problemas e seguir o orçamento.

P: A inteligência artificial está evoluindo para lidar também com as habilidades de sensibilidade?

R: Não estamos vendo isso. Acho que o futuro do trabalho envolve recursos humanos administrando a força de trabalho e a tecnologia da informação administrando a força de trabalho robô. Não há dúvidas de que humanos e robôs vão trabalhar lado a lado.

P: Estamos preparando adequadamente a próxima geração para trabalhar em conjunto com a inteligência artificial?

R: Acho que a tecnologia está tornando as pessoas mais antissociais conforme envelhecem porque elas estão tendo acesso a isso cada vez mais cedo. Apesar disso, a demanda agora é por habilidades objetivas que vão ser automatizadas. Então, eventualmente, quando essas habilidades forem atualizadas e as habilidades de sensibilidade tiverem maior demanda, a próxima geração terá muitos problemas.

P: Quais países usam mais inteligência artificial?

R: Índia e China e Cingapura. Os países que estão ganhando mais poder e relevância no mundo estão usando inteligência artificial no trabalho.

P: Se a inteligência artificial fizer todas as tarefas simples, os gestores não ficarão extenuados de terem de lidar apenas com tarefas difíceis?

R: Eu acho que isso é muito possível. Sempre faço tarefas que exigem o máximo do meu pensamento no início dos meus dias e depois das 5 ou 6 da tarde estou exausto mentalmente. Mas se as tarefas administrativas estiverem automatizadas, talvez o dia de trabalho fique mais curto.

Isso nos livraria para fazermos coisas de cunho mais pessoal. Ainda teremos que ver se nosso dia de trabalho ficará menor se a inteligência artificial eliminar essas tarefas. Se isso não acontecer, a cultura da estafa crescerá dramaticamente.

P: Setenta por cento dos entrevistados pela pesquisa estão preocupados com a chance da inteligência artificial recolher dados sobre eles no trabalho. Esta preocupação é legítima?

R: Sim. Estamos vendo cada vez mais fornecedores de tecnologia permitirem que as empresas monitorem o uso dos computadores dos funcionários.

Se coletarmos dados sobre os funcionários no local de trabalho e fazer os trabalhadores sofrerem as consequências por não estarem focados durante oito horas por dia, isso será um enorme problema. Ninguém pode se concentrar por tanto tempo. Isso irá acelerar a epidemia da síndrome de burnout.

P: Como a inteligência artificial está mudando as práticas de contratação de funcionários?

R: Um exemplo é a Unilever. A primeira metade do processo de recrutamento deles é centrada em inteligência artificial. Você faz uma entrevista por vídeo e a ferramenta de inteligência artificial coleta dados sobre você e os compara com funcionários bem sucedidos. Isso reduz o volume de candidatos. Então os candidatos passam o dia na Unilever fazendo entrevistas e um percentual deles recebe uma oferta de trabalho. Isso significa máquinas e humanos trabalhando lado a lado.

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