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Campos Neto diz que tarifas da TecBan a bancos pequenos têm atrapalhado competição

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central tem olhado o tema de tarifas cobradas por saques em caixas eletrônicos, afirmou nesta quarta-feira o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, apontando que a atuação da empresa TecBan tem atrapalhado a competição.

Roberto Campos Neto participa de evento em São Paulo 11/10/2019 REUTERS/Amanda Perobelli

Controlada por Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil e Caixa Econômica Federal, a TecBan é dona da rede de caixas Banco24Horas.

“As tarifas que a TecBan cobra são tarifas que são muito grandes para os bancos pequenos, o que em parte até inviabiliza um pouco a competição. Então obviamente é um tema que o Banco Central tem acompanhado”, afirmou Campos Neto em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

O presidente do BC destacou que a TecBan, “que é uma empresa controlada pelos grandes bancos”, é a responsável por fornecer grande parte dos caixas eletrônicos.

“Então o que acontece na prática é que o banco pequeno que precisa entrar no mercado, que precisa dar acesso ao seu cliente pequeno, acesso ao ATM, ele paga muito mais do que o banco grande”, disse.

Na audiência, Campos Neto reconheceu a parlamentares que a concentração bancária no país é alta e que a rentabilidade das instituições financeiras também, principalmente no cenário atual de baixos juros básicos.

Em nota divulgada mais tarde, a TecBan afirmou que não determina política de cobrança para serviços, ficando a cargo de cada instituição financeira determinar ou não o repasse, para o cliente, da taxa cobrada.

“A empresa informa que atua como plataforma aberta, defende a inclusão financeira e está disponível para o sistema financeiro”, acrescentou a TecBan, ressaltando que resolução do BC já garante aos clientes dos bancos um determinado número de serviços da rede de atendimento dos bancos livre de taxas por mês.

CÂMBIO

Sobre o movimento do dólar frente ao real, o presidente do BC reforçou que a autoridade monetária não tem meta para câmbio e que faz intervenções no mercado quando entende que há gap de liquidez.

“Importante é como o câmbio influencia nos canais da expectativa (da inflação)”, frisou Campos Neto.

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