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Fabricantes de smartphones da Índia temem que coronavírus interrompa fornecimento da China

NOVA DÉLHI (Reuters) - O surto do coronavírus na China pode começar a atrapalhar a produção de smartphones na Índia se continuar se espalhando em fevereiro, disseram executivos do setor, pois pode atrasar o envio de componentes.

Empregados trabalham numa linha de montagem de telefones celulares, na Índia. 12/10/2018.REUTERS/Anushree Fadnavis

A Índia é a maior fabricante de smartphones do mundo depois da China, mas ainda depende em grande parte da China para o fornecimento de peças como displays, componentes da câmera e placas de circuito.

A Foxconn e a Wistron fabricam iPhones na Índia para a Apple, e a Foxconn também produz smartphones para a Xiaomi. Outros fabricantes de smartphones na Índia incluem a Samsung e a chinesa OnePlus.

Até agora, as fabricantes de smartphones na Índia resistiram ao impacto do vírus que já matou 170 pessoas, em parte porque haviam elevado estoques de peças fabricadas na China para cobrir o perído do Ano Novo Lunar, quando as fábricas da China fecham.

“Essas interrupções já foram planejadas, mas se (a propagação do vírus) se prolongar, então para a produção de março e abril teremos sérios problemas”, disse SN Rai, co-fundador da fabricante de smartphones Lava.

Alguns componentes podem ser fornecidos de outros mercados, como Coreia do Sul, Vietnã ou Taiwan, mas as fabricantes de smartphones só farão essas compras como último recurso, pois forçariam as empresas a fazer alterações, inclusive no design e no software, disse Rai.

A OnePlus disse que suas operações indianas conseguirão lidar com os obstáculos, pelo menos no curto prazo.

“Estamos bem protegidos porque temos toda a produção na Índia, já temos estoque suficiente e, mesmo daqui para frente, muitos dos componentes virão diretamente de outros mercados”, disse Vikas Agarwal, chefe da OnePlus na Índia.

Embora Pequim tenha expressado confiança em derrotar o vírus, que pode ser declarado emergência global pela Organização Mundial da Saúde, grandes empresas como o Google, da Alphabet, e a sueca Ikea fecharam temporariamente seus escritórios na China.

A indiana Tata Motors, que considera a China um mercado importante para seus carros de luxo Jaguar Land Rover, disse nesta quinta-feira que está preocupada com o coronavírus e alertou que o surto poderá impactar seus lucros.

Conforme várias companhias aéreas suspendem voos para a China, as atividades da equipe técnica no país - como executivos de suporte, especialistas em máquinas e em automação - também será reduzida e afetará o setor de smartphones da Índia, disse um executivo de outra fabricante estrangeira de smartphones.

Por enquanto, a indústria espera que o surto possa ser contido nas próximas duas semanas.

“Se o problema persistir para além de 10 de fevereiro, temos um problema real”, disse Pankaj Mohindroo, chefe da Índia Cellular & Electronics Association.

Por Sankalp Phartiyal

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