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Huawei alerta Brasil de que novos atrasos em leilão 5G podem afetar competitividade

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil corre o risco de perder competitividade se o tão aguardado leilão de espectro para rede 5G sofrer novos atrasos, um executivo da fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei disse à Reuters.

Logotipo da Huawei. 28/1/2020. REUTERS/Toby Melville

A expectativa é de que a Huawei assuma papel fundamental na implementação da próxima geração de rede de alta velocidade na América Latina, apesar dos esforços dos Estados Unidos para conter o avanço da gigante chinesa.

Mas o leilão de espectro foi postergado da data inicial de março para o segundo semestre em meio a preocupações sobre interferência com outros serviços nas frequências que devem ser destinadas ao 5G, além de incertezas sobre as regras do certame.

Analistas avaliam que pode haver um novo adiamento, o que segundo Carlos Roseiro, diretor de soluções integradas da Huawei Brasil, pode afetar a competitividade do país no médio prazo.

“Enxergamos essa questão de forma muito realista e nos adaptamos à realidade que temos... O 5G contribuirá para a produtividade das economias, então atrasar o leilão aqui pode no médio prazo fazer com que a economia brasileira seja menos competitiva”, afirmou.

“Mas saindo o leilão no segundo semestre, o Brasil ainda é perfeitamente capaz de acompanhar as economias mais avançadas que lançaram antes suas redes de 5G”, ponderou o executivo.

Embora o presidente Jair Bolsonaro seja aliado do norte-americano Donald Trump, cuja administração vinha pressionando outros governos a barrar a Huawei por temor de seus equipamentos sejam vulneráveis à espionagem pela China, Roseiro disse não haver sinais de que o Brasil crie restrições para a empresa.

“Nunca nos foi comunicada nenhuma intenção em restringir a Huawei. Somos um parceiro importante e o melhor sinal disso são os clientes que seguem trabalhando conosco”, disse o diretor.

No Reino Unido, outro aliado dos EUA, as tentativas do governo norte-americano de excluir a Huawei sofreram um revés em janeiro, quando o premiê britânico Boris Johnson concedeu à empresa um papel nas redes 5G do país.

Os comentários de Roseiro ocorreram antes de uma reunião do conselho diretor da Anatel nesta quinta-feira pra discutir as propostas de consultas públicas sobre os certames do leilão envolvendo as frequências de 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz.

“Espectro é fundamental para o 5G porque essa tecnologia só consegue atingir a promessa de um gigabyte por segundo se houver mais espectro para as operadoras”, disse Roseiro, destacando que levaria ao menos seis meses para implementar o 5G após o leilão.

A rival sueca Ericsson já manifestou preocupações similares, alertando em um estudo publicado em outubro sobre um potencial impacto de 25 bilhões de reais aos cofres públicos até 2025 se o leilão de espectro for adiado para 2021.

Roseiro afirmou que a Huawei está conduzindo os negócios normalmente e ajudando as operadoras a modernizar suas infraestruturas antes do desenvolvimento do 5G.

Em agosto, a Reuters reportou que a Huawei tem planos de investir 800 milhões de dólares no Estado de São Paulo até 2022, num movimento para expandir sua presença na América Latina.

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