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São Martinho faz parceria com Ericsson em 5G para "sonhar com o impossível"

SÃO PAULO (Reuters) - Pioneira em colheita mecanizada de cana no Brasil, a São Martinho anuncia nesta quarta-feira uma parceria inédita com a sueca Ericsson para implementar a tecnologia 5G em suas operações, primeiramente na unidade de Pradópolis (SP), onde está a usina que tem o recorde mundial de moagem de cerca de 10 milhões de toneladas em uma safra.

Caminhão transporta cana em usina de açúcar da São Martinho em Pradópolis, onde tecnologia 5G será aplicada. 13 de setembro de 2018. REUTERS/Paulo Whitaker

A expectativa é que a conectividade 5G, que permite a automação desde colhedoras de cana até de equipamentos nas unidades de moagem, seja ativada na usina do grupo, um dos maiores produtores de açúcar e etanol do Brasil, já a partir da próxima safra de cana do centro-sul, em 2021.

O movimento também é visto pela Ericsson, reconhecida como líder em plataformas digitais e redes móveis, como uma forma de o agronegócio encurtar a distância em relação a outros setores, como varejo e bancário, que estão muito à frente da agricultura em digitalização, embora o país seja uma potência agrícola.

Os ganhos de produtividade e redução de custos que podem ser obtidos pela São Martinho com a rede 5G ainda são difíceis de se dimensionar, até porque essa tecnologia deve estabelecer novos paradigmas, disse à Reuters o presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, que não revelou investimentos no processo.

“Quando tudo isso é viabilizado por uma conectividade que em alguns casos pode até superar a reação humana, fica até difícil imaginar quão mais conseguimos tirar... O acordo nos dá a possibilidade de sonhar com o impossível, e esse é o nosso objetivo”, afirmou Venturelli.

Segundo ele, é difícil dizer quanto o 5G pode agilizar os trabalhos, ainda mais considerando as dimensões da unidade de Pradópolis, uma das quatro plantas industriais do grupo, com capacidade aproximada de 24 milhões de toneladas/ano de cana.

O CEO ressaltou que nessa unidade, com suas 52 colhedoras, 282 caminhões, 241 tratores, em 7.500 km de estradas próprias da usina de Pradópolis, o total rodado pelos veículos pode chegar a mais de 87 mil km ao dia, o equivalente a duas voltas ao redor da Terra.

Neste universo em que muitas vezes a colheita é realizada de madrugada, se um caminhão que transporta cana erra o caminho, pode perder cerca de três horas até encontrar a rota correta, observou ele, explicando o que a conectividade pode evitar.

“Preciso ter o caminhão conversando com a tecnologia de tal forma que o melhor caminho seja passado para esse caminhão, para otimizar o trajeto”, exemplificou.

CENTRO DE INOVAÇÃO

O acordo, que marca primeira parceria da Ericsson neste ambiente do agronegócio, também prevê um centro de inovação para desenvolver aplicações para o 5G no setor.

O centro de tecnologia será instalado no município paulista onde está situada a usina de mesmo nome da São Martinho, localizada na região de Ribeirão Preto, coração da produção de cana do Estado líder brasileiro em açúcar, etanol e bioenergia.

A tecnologia 5G, que deve aumentar eficiência em processos que requerem alta velocidade de transferência de dados e baixíssima latência (tempo de resposta), permitindo o controle inteligente de pragas e plantas daninhas, deve ser estendida para outras usinas do grupo e mais tarde estar disponível para outras companhias e outros setores do agronegócio.

“Desse trabalho conjunto pode sair muita coisa, como tecnologias, produtos e aplicações novos. Um dos primeiros candidatos seriam as outras usinas da companhia, e dependendo dos formatos serão novos produtos de inovação que a Ericsson e a São Martinho poderão disponibilizar para o mercado”, disse o CEO do grupo sucronergético.

A tecnologia também pode auxiliar o grupo a identificar a localização de incêndios em suas áreas agrícolas, dentre outras atividades que requerem processamento de dados e imagens em alta velocidade, além de antecipar a necessidade de manutenções de equipamentos, evitando que as operações tenham de ser paralisadas. A empresa também espera que o 5G viabilize o que o CEO chamou de “princípios da robótica” dentro da usina.

“Com certeza vamos aplicar a outras partes do agronegócio, o bacana da parceria é que a São Martinho tem viés de empreendedorismo e viés tecnológico muito forte, e isso ajuda a extrapolar para outras áreas do agronegócio”, completou o presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, Eduardo Ricotta, que espera ter uma operadora telefônica e a chamada de startups, para ajudar no projeto, no próximo ano.

De acordo com as empresas, o fato de a São Martinho já ter uma rede 4G privada, em projeto “4.0” há mais de dois anos, ajuda na implantação do 5G, assim como o fato de a companhia ser considerada líder em eficiência, com índices de colheita de até 1.000 toneladas/máquina por dia, o dobro da média do setor.

Uma análise setorial da Ericsson mostrou que a conectividade no campo trará uma “disrupção” semelhante à gerada nos anos 60 do século passado com o trator, com benefícios significativos em todos os aspectos da agricultura.

Nos próximos cinco anos, segundo as empresas, a cobertura de internet celular de alta capacidade (4G e 5G) no campo deve cobrir uma área correspondente àquela que as tecnologias 2G e 3G levaram 20 anos para atingir.

Dessa forma, o desenvolvimento da cadeia do agronegócio por inteiro com o advento do 5G pode tornar o Brasil ainda mais produtivo do que é atualmente, afirmaram os executivos.

Ricotta explicou que, embora o 5G não esteja acessível à população em geral, já se pode usar a frequência para fins científicos e experimentais, em uma rede privada. E que, quando ela estiver disponível para todos, bastará à São Martinho ativar sua rede na mesma frequência ou fazer um ajuste por software.

Por Roberto Samora

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