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Twitter testa como etiquetas de notícia falsa podem ser mais diretas

(Reuters) - O Twitter está repensando como as etiquetas que aplica sobre conteúdo de desinformação funcionam e aparecem aos olhos do público, disse o diretor de integridade do site em entrevista à Reuters. A empresa quer que estas intervenções sejam mais óbvias e mais ágeis.

22/07/2019 REUTERS/Mike Blake

Yoel Roth afirmou que a companhia está explorando mudanças nos pequenos alertas azuis que usa para dizer que tuítes contêm informações mentirosas. O objetivo é que estas etiquetas sejam mais diretas na informação. Porém, o executivo não disse se qualquer versão nova do recurso será aplicada antes da eleição nos Estados Unidos, daqui a quatro semanas, um período que especialistas dizem que será recheado de publicações mentirosas.

Roth disse que os novos esforços do Twitter incluem o teste com uso de cores mais avermelhadas, mais chamativas e está trabalhando para definir se vai marcar usuários que publicam informações falsas consistentemente.

“Ouvimos as sugestões de que seria útil ver se uma conta apresenta comportamento reincidente ou se foi repetidamente marcada e estamos avaliando as opções”, disse Roth.

O Twitter começou a etiquetar conteúdo manipulado ou falso no início deste ano, depois de um período em que ouviu comentários dos usuários. A empresa expandiu os avisos para conteúdo mentiroso sobre coronavírus e para tuítes com informações enganosas sobre eleições e o processo civil. A rede social já marcou milhares de tuítes e o que mais chamou atenção foram as etiquetas colocadas sobre as mensagens publicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo Roth, há o risco de que as etiquetas se tornem uma espécie de “medalha de honra” que usuários passem a buscar para conseguirem atenção do público e que a empresa tenta agora torná-las mais óbvias e diretas na informação de que o conteúdo foi marcado por tratar-se de informações mentirosas.

Embora a marcação do Twitter tenha sido elogiada por alguns especialistas em desinformação, a aplicação dela tem disparado críticas por ser muito lenta.

“A maior parte das coisas decola tão rápido que se você esperar 20 ou 30 minutos... a maior parte da disseminação causada por alguém com grande audiência já ocorreu”, disse Kate Starbird, professora associada da Universidade de Washington, que analisou o processo de resposta das etiquetas do Twitter.

O Twitter levou cerca de 8 horas para adicionar a marcação aos tuítes de Trump sobre voto por correio da primeira vez que ele foi etiquetado em maio. Em setembro, dois tuítes de Trump levaram duas horas para ganharem marcações.

Roth disse que o Twitter reduz o alcance de todos os tuítes marcados por desinformação ao limitar a visibilidade deles e não recomendá-los em locais como resultados de busca. A companhia não informou qualquer dado sobre a efetividade destas medidas.

“As plataformas precisam explicar qual hipóteses estão testando, como as estão testando, quais os resultados e serem transparentes”, disse Tommy Shane, diretor de política e impacto da organização sem fins lucrativos First Draft. “O motivo para isso é porque são experimentos com o público.”

A porta-voz de Trump, Samantha Zager, afirmou em comunicado em que não especificou evidências que “nas plataformas de mídia social, está claro que a máfia do Vale do Silício cria regras arbitrárias que não se aplicam igualmente a todas as contas e que são usadas para silenciar qualquer visão contrária às elites das grandes companhias de tecnologia”.

Questionado se o Twitter está monitorando usuários importantes como Trump ou seu rival democrata Joe Biden, Roth disse que a empresa não “foca especificamente em contas individuais ou em detentores de contas individuais”.

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