25 de Abril de 2016 / às 11:07 / em 2 anos

EXCLUSIVO-Oi iniciará conversas sobre restruturação de bônus nesta semana, dizem fontes

SÃO PAULO (Reuters) - A Oi iniciará conversas para reestruturar 14 bilhões de dólares em bônus a partir desta segunda-feira, disseram fontes familiarizadas com a situação, colocando alguns dos maiores investidores do mundo uns contra os outros conforme a operadora mais endividada do Brasil luta pela sobrevivência.

Logo da Oi visto em São Paulo. 02/10/2013 REUTERS/Nacho Doce

Segundo uma fonte, a Oi e sua assessora PJT Partners sentarão com um grupo de cerca de 25 detentores de bônus, incluindo Pacific Investment Management, BlackRock e Citadel. A Moelis & Co está aconselhando o grupo, que pode assinar acordos de não divulgação para entrar nas negociações e ter acesso à proposta de restruturação, acrescentou a fonte.

A Oi quer negociar com detentores de bônus que “se importam com o futuro da companhia”, disse uma segunda fonte, que pediu para ficar anônima para falar livremente sobre o plano.

A decisão de iniciar conversas com o grupo assessorado pela Moelis não deixa claro como ou se a Oi vai negociar com outros credores como fundos de hedge que compraram “credit default swaps” ligados aos bônus da Oi.

A restruturação da Oi seria a segunda maior da América Latina, atrás de uma de 15 bilhões de dólares da dívida da fabricante de cimento mexicana Cemex SAB em 2009, mostraram dados compilados pela Thomson Reuters. O acordo da Oi também seria muito maior que a restruturação de 5,2 bilhões de dólares da OGX Petróleo e Gás dois anos atrás, até o momento o maior acordo do tipo no Brasil.

Em risco está o destino da Oi, produto de uma fusão patrocinada pelo governo oito anos atrás e a única operadora de telefonia brasileira controlada por capital doméstico.

Alguns acionistas acreditam que uma reestruturação facilitaria uma potencial aquisição da Oi, que afirmam que poderia reduzir a distância das rivais Telefônica Brasil e Claro, do grupo América Móvil.

“Diferentes investidores podem abraçar diferentes estratégias, tornando essa situação como um jogo de xadrez de quatro jogadores no qual você não entende a estratégia de ninguém até o último minuto”, disse Paolo Gorgó, investidor baseado na Itália que analisa casos de empresas endividadas em problemas e restruturação para diversas newsletters.

Tanto a Oi quanto a PJT não quiseram comentar o processo. A Oi contratou a PJT em fevereiro para orientar a restruturação.

INSUSTENTÁVEL

Uma base desigual de credores, as diversas moedas de emissão e uma estrutura complexa de dívida na qual responsabilidades de diversas unidades estão consolidadas no nível da companhia holding podem tornar difícil uma resolução rápida, disse Francisco Velasco, analista de renda fixa da Exotix Partners.

Com a noção difundida de que as ações da Oi têm pouco valor, detentores de dívida podem buscar contrariar qualquer acordo que busque proteger acionistas, disseram analistas da Nomura International e Jefferies recentemente.

Negociações “não serão fáceis, já que há o potencial de conflito entre credores, com diferentes tipos de credores buscando tirar o melhor para eles mesmos, motivo pelo qual o processo pode levar tempo”, disse em entrevista.

Em 54,9 bilhões de reais, a dívida líquida da Oi parece insustentável nesse momento, com quase metade do valor vencendo até o fim de 2017. O serviço da dívida também representa um desafio para a Oi, cuja dívida é 75 por cento denominada em outras moedas que não o real, que caiu 16 por cento contra o dólar nos últimos dois anos.

A Oi tem quase 200 diferentes detentores de bônus que vão desde o Brasil e os Estados Unidos à Suíça e ao Chile. Cerca de dez empresas de bônus que não entraram no grupo assessorado pela Moelis contrataram a Houlihan Lokey para formar o seu próprio, disse uma fonte a par do tema à Reuters na semana passada.

Credores cujas posições em “credit swaps” ultrapassa suas posses de bônus em uma larga margem têm um incentivo para interromper as conversas ou motivar eventos que podem forçar a Oi para um default, disseram Gorgó e outros analistas.

Reportagem adicional de Tatiana Bautzer em São Paulo e Jennifer Ablan e Matthew Toole em Nova York

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