29 de Setembro de 2017 / às 22:16 / em 2 meses

Caos e hackers perseguem investidores nas bolsas de criptomoedas

LONDRES/XANGAI/NOVA YORK (Reuters) - Dan Wasyluk descobriu da forma mais difícil que as negociações de criptomoedas como bitcoins ocorrem em um ambiente online similar ao Velho Oeste, com os xerifes em grande parte ausentes.

Wasyluk e seus colegas levantaram bitcoins para uma nova empresa de tecnologia e hospedaram-nos como garantia em uma administradora de bolsa de moedas virtuais chamada Moolah. Poucos meses depois, o bolsa quebrou e o homem responsável está aguardando julgamento no Reino Unido, sob acusações de fraude e lavagem de dinheiro. Ele se declarou inocente.

O projeto de Wasyluk perdeu 750 bitcoins, que atualmente valem cerca de 3 milhões de dólares, e ele acredita que tem poucas chances de recuperar dinheiro.

“Realmente o projeto foi um tiro no pé”, disse Wasyluk sobre o colapso de três anos atrás. “Se você está começando uma bolsa e você perde o dinheiro dos clientes, você ou sua empresa devem ser 100 por cento responsáveis ​​por essa perda.”

As criptomoedas deveriam oferecer uma maneira segura e digital de realizar transações financeiras, mas elas tem sido assombradas por incertezas. As preocupações têm se concentrado principalmente em seus ganhos astronômicos em valor e a probabilidade de quedas dolorosas. Igualmente perigosas, porém, são as bolsas onde as moedas virtuais são compradas, vendidas e armazenadas. Esses ambientes se tornaram ímãs para fraudes e falhas tecnológica, mostra uma análise da Reuters, representando um risco subestimado para quem negocia moedas digitais.

Estão em jogo grandes quantias. À medida que os preços das moedas virtuais subiram em 2017 - a bitcoin quadruplicou - legiões de investidores e especuladores se voltaram para as negociações online. Bilhões de dólares em bitcoins e outras crioptomoedas - que não são respaldadas por governos ou bancos centrais - são negociadas diariamente.

    Reguladores e governos ainda estão debatendo formas de lidar com as novas moedas, e David L. Yermack, presidente do departamento de finanças da Stern School of Business da Universidade de Nova York, diz que o Congresso dos Estados Unidos terá que agir.

“Estes são novos ativos. Ninguém sabe realmente o que fazer com eles”, disse Yermack. “Se você é um consumidor, não há nada para protegê-lo.”

    Algumas das bolsas independentes padecem de segurança fraca e da ausência de proteções aos investidores comuns em mercados financeiros mais regulamentados, descobriu a Reuters. Algumas bolsas chinesas inflaram falsamente o volume de negócios para atrair novos clientes, de acordo com ex-funcionários.

Houve pelo menos três dúzias de roubos de bolsas de criptomoedas desde 2011 e muitas encerraram as operações depois de serem invadidas por hackers. Mais de 980 mil bitcoins foram roubadas, montante que hoje valeria cerca de 4 bilhões de dólares. Pouco foi recuperado. Os investidores atingidos ficaram à mercê das bolsas quanto à receber qualquer compensação.

    Cerca de 25 mil clientes da Mt. Gox, que foi a maior bolsa de bitcoins do mundo, ainda esperam uma indenização mais de três anos após sua falência no Japão. A bolsa disse que perdeu cerca de 650 mil bitcoins. As demandas aprovadas pelo administrador da falência totalizam mais de 400 milhões de dólares.

“Isso não é diferente de ladrões de banco no Velho Oeste”, disse David C. Silver, um dos advogados que representa pessoas que perderam dinheiro com os roubos e quebra de bolsas. “A criptomoeda é apenas uma nova frente”.

Outro desafio para os negociadores: a intervenção governamental. Este mês, as autoridades chinesas solicitaram que algumas bolsas de criptomoedas interrompam os negócios. A ordem, no entanto, não se aplica as bolsas com sede em Hong Kong ou fora da China, incluindo as afiliadas das bolsas chinesas fora do país.

    Não surpreendentemente, muitos bancos também desconfiam das negociações com moedas digitais e alguns se recusam a operar com elas. Em uma conferência de investidores bancários este mês em Nova York, Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Chase & Co, chamou a bitcoin de “uma fraude” e previu que “explodirá”.

    O boicote por bancos pode tornar impossível às vezes, que bolsas processem transferências eletrônicas que permitem aos clientes comprar ou vender criptomoedas com moedas tradicionais, como dólares ou euros.

Lidar com os bancos “é um desafio constante e contínuo”, disse o presidente-executivo da bolsa Bitfinex, Jean Louis van der Velde. “Cidadãos e empresas estão sendo tratados como criminosos quando não são, inclusive eu”. Ele não quis dizer quais bancos que a Bitfinex está usando agora, após o banco Wells Fargo ter deixado de fazer transferêcnias para bolsa.

Por Steve Stecklow, Alexandra Harney, Anna Irrera e Jemima Kelly

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