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Cientistas espaciais usam isolamento por Covid-19 como teste para missão em Marte

Imagem da superfície de Marte feita por veículo de reconhecimento 15/11/2019 NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/Divulgação via REUTERS

TOULOUSE, França (Reuters) - Cientistas espaciais franceses estão usando o isolamento causado pela Covid-19 como uma simulação de como é ficar preso dentro de uma nave espacial em missão a Marte.

As cobaias do experimento são 60 estudantes confinados em seus dormitórios na cidade de Toulouse, no sul da França - não muito longe do tipo de condições que eles podem enfrentar em uma longa missão espacial.

Quando o governo francês impôs restrições de movimento para conter a propagação do vírus, a pesquisadora espacial Stephanie Lizy-Destrez decidiu aproveitar ao máximo uma situação ruim e contratou os estudantes voluntários.

Não é uma simulação exata de voo espacial: não há tarefas como coletar amostras da superfície de um planeta usando um veículo espacial lunar, e os alunos podem interromper sua jornada virtual espacial para uma saída diária ao exterior.

Mas eles realizam tarefas em computador como testes de memória e testes de agilidade mental. Eles mantêm um diário e, a cada cinco dias, precisam preencher um questionário.

Os estudantes têm um conjunto diferente de motivações em relação aos astronautas reais, disse Lizy-Destrez, professora associada de engenharia de sistemas espaciais do Isae-Supaero, um instituto espacial e de aeronáutica no sul da França.

“No caso dos participantes do experimento no campus, é um confinamento que lhes foi imposto”, declarou ela.

Mas as salas apertadas - os estudantes estão em dormitórios com 12 metros quadrados - e os limites do que as pessoas podem fazer são semelhantes às condições que as pessoas podem encontrar no espaço.

O mesmo acontece com os efeitos psicológicos adversos que isso pode ter sobre as pessoas, e os cientistas querem entender melhor isso antes de enviar astronautas em uma missão a Marte que pode durar vários meses.

Por Maxime Sounillac, Johanna Decorse e Johnny Cotton

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