9 de Dezembro de 2007 / às 13:50 / em 10 anos

Setor eletroeletrônico vê déficit comercial ainda maior em 2008

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O déficit da balança comercial da indústria eletroeletrônica deve superar os 20 bilhões de dólares em 2008, cifra 43 por cento superior ao saldo negativo recorde registrado este ano pelo setor.

O câmbio pesou nas vendas externas, mas também alimentou as importações para atender ao mercado interno aquecido. Em termos gerais, foi a demanda doméstica que assegurou faturamento 8 por cento maior para essa indústria em 2007, chegando a 112,4 bilhões de reais.

A diferença entre exportações e importações, recorde de 14,4 bilhões de dólares este ano, ficou 38 por cento além do volume de 2006. As exportações permaneceram estagnadas em pouco mais de 9 bilhões de dólares, enquanto as importações tiveram crescimento médio de 20 por cento, alcançando 23,7 bilhões de dólares.

“Nos últimos três anos, este déficit cresceu cerca de 100 por cento e a tendência é de que continue essa trajetória, se for mantido o crescimento da economia e as difíceis condições de competitividade do país”, informou a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) no balanço anual, divulgado nesta quinta-feira.

A associação trabalha com cenário de crescimento econômico de 4 por cento da economia brasileira em 2008 e de manutenção da taxa de câmbio no patamar atual.

TRANSIÇÃO TECNOLÓGICA

As novas tecnologias também são um vilão da balança comercial do setor. A avaliação da Abinee é de que tem havido uma “desagregação de valor local” em produtos como computadores, televisores e até telefonia celular. As importações nas áreas de telecomunicações e informática cresceram 56 por cento e 30 por cento, respectivamente.

A expansão do mercado de notebooks no país é um bom exemplo. Com uma indústria de componentes muito reduzida, a indústria brasileira agrega algum valor ao computador de mesa (desktops), mas menos ao notebook.

E é justamente nesse segmento de notebooks que se verifica a maior taxa de crescimento no mercado de computadores. Em 2006, foram vendidos 8,2 milhões de PCs no Brasil, sendo apenas 8,2 por cento notebooks. Neste ano, do total de 10,1 milhões, 21 por cento já eram notebooks. Para 2008, a estimativa é de 11,8 milhões de unidades, sendo 32 por cento notebooks.

O setor de utilidades domésticas também enfrenta uma “transição tecnológica”: do velho televisor de tubo de imagem para as telas de plasma e LCD, com baixa ou nenhuma agregação de valor pela indústria local.

De acordo com Benjamin Sicsú, diretor da Abinee e vice-presidente da Samsung, a progressão de vendas de TVs de plasma e LCD foi de 300 mil em 2006 para um milhão este ano e chegará a dois milhões em 2008 no país.

Outra mudança, a adoção da tecnologia digital para a TV aberta, foi responsável em grande parte pelo faturamento estagnado na área de utilidades domésticas este ano, com queda na venda de televisores depois de um ano forte decorrente da Copa do Mundo de 2006.

“Considerando-se a mudança de tecnologia, ter tido o mesmo faturamento é um bom desempenho”, comentou o presidente da Abinee, Humberto Barbato. O faturamento da área de utilidades domésticas foi de 16,5 bilhões de reais no ano, com expectativa de expansão de 10 por cento em 2008.

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