7 de Março de 2008 / às 18:18 / 9 anos atrás

Quem precisa de especialistas em informática?

Por Eric Auchard

SAN FRANCISCO, Estados Unidos (Reuters) - Trabalhadores que conhecem bem a tecnologia e não estão satisfeitos porque suas ferramentas de computação no escritório não funcionam de maneira simples como, digamos, um iPod, estão resolvendo o problema por conta própria.

Eles não dependem mais dos técnicos ou dos administradores dos sistemas de tecnologia da informação de uma empresa para escolher o software necessário a realizar uma tarefa. Sabem como obter ferramentas diretamente na Web.

Observadores do setor usam o termo "consumidorismo" para descrever o fenômeno que leva os trabalhadores a esperarem menos tempo pela ajuda do pessoal de tecnologia.

A analista Rebecca Wettemann, do grupo de pesquisa de software Nucleus Research, diz que as pesquisas de sua empresa entre os usuários de tecnologia freqüentemente encontram declarações como "por que não posso fazer isso sem aprovação do pessoal de tecnologia da informação?"

Tudo isso representa um desafio ao domínio da Microsoft sobre o software usado em empresas, e pode ser um dos motivos menos apreciados para seu esforço em comprar o Yahoo, que dispõe de uma base de 500 milhões de internautas.

"Indivíduos, e não organizações de tecnologia da informação, estão impulsionando a próxima onda de adoção (de tecnologia)", afirmou a Forrester Research em recente relatório.

A Forrester refere-se ao movimento que reclama maior poder e controle por parte dos indivíduos como "populismo tecnológico", e outros observadores o definem como "Office 2.0".

De maneira menos simpática, a consultoria Yankee Group definiu o tema, em um relatório de 2007 chamado "zen e a arte de administrar funcionários fora de controle", como uma tendência que ameaça os executivos de tecnologia da informação.

No passado uma minoria isolada, esses consumidores insatisfeitos se tornaram maioria na vida profissional, e ostentam confiança tecnológica cada vez maior. Os mais ousados dentre eles evitam ao máximo pedir ajuda aos departamentos de tecnologia de suas empresas.

E porque o software disponível via Web custa zero ou muito pouco, as restrições orçamentárias, em geral utilizadas como desculpa pelos executivos das empresas, raramente procedem.

"Companhias de software estabelecidas como a Microsoft têm menos habilidade em prometer um produto para o futuro e fazer com que seus clientes esperem por ele", disse Wettemann. "Quando algo que eu encontro na Web custa 70 por cento do que eu quero, porque eu deveria esperar para ter?", pergunta a analista.

MUITO ALÉM DE BUSCA E PUBLICIDADE

A Microsoft tem justificado sua tentativa de adquirir o Yahoo principalmente por ser uma maneira rápida de torná-la uma rival forte do Google em busca na Internet e publicidade. A gigante do software tem por enquanto minimizado qualquer ameaça iminente dos serviços de tecnologia baseados na Web a seus negócios.

Porém, Ray Ozzie, que assumiu de Bill Gates o posto de arquiteto-chefe de software da Microsoft, afirmou em palestra esta semana que a Web é o centro de tudo o que a Microsoft vem fazendo.

"Links, compartilhamento, listas de preferências, definição de rótulos de busca na Web serão tão familiares para nós quanto salvar, editar e ver documentos em um PC", disse o executivo.

A fusão com o Yahoo poderia dar à Microsoft "pessoas criativas e ativos online interessantes", disse ele.

Enquanto isso, a estratégia do Google é exemplificada por Dave Girouard, o gerente-geral da divisão voltada a empresas do Google, que vende serviços via Web para companhias, escolas e agências governamentais.

Em recente entrevista sobre uma nova ferramenta de publicação de sites voltada para equipes de usuários corporativos, Girouard disse que a estratégia do Google é tirar do caminho os técnicos de TI sempre que for possível.

"A idéia deste produto é que os técnicos de TI não tenham que fazer nada que não seja permitir que os usuários possam se servir", disse Girouard.

O foco no usuário individual, em vez de administradores de tecnologia, é uma idéia dos dois co-fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, disse o executivo.

"Sergey e Larry... não enxergam a linha divisória clara entre o consumidor e a empresa que a maioria de nós veria", disse Girouard. "Eles acham apenas que o usuário é o usuário, e eles querem tornar as coisas melhores para os usuários."

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