13 de Fevereiro de 2008 / às 21:40 / 10 anos atrás

"Fator China" afeta preços de redes de celular 3G no Brasil

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - Está praticamente definido o cenário dos fornecedores das redes de terceira geração (3G) para as operadoras de telefonia móvel brasileiras com o anúncio feito pela Brasil Telecom nesta quarta-feira de que contratou a sueca Ericsson e a chinesa ZTE. O mercado aguarda a Vivo .

A implantação da 3G deve movimentar entre 3 e 5 bilhões de reais apenas este ano, na avaliação de dois especialistas ouvidos pela Reuters. Embora não sejam divulgados valores pelas operadoras, a disputa pelos contratos foi acirrada e o fator “China” derrubou preços, na opinião de executivos do setor.

De acordo com levantamento da empresa de consultoria Teleco, todas as cinco maiores operadoras de celular do país terão entre seus fornecedores um fabricante chinês. A Huawei vinha sendo a única contemplada, mas a Brasil Telecom abriu agora espaço para a ZTE.

A agressividade comercial das chinesas alimenta polêmica nos bastidores do setor de telecomunicações: fontes apontam até a prática de “preço zero”, mas preferem manter o anonimato. O diretor do Teleco Eduardo Tude disse que não seria surpreendente que isso tivesse acontecido.

“Para entrar no mercado, a gente vê os fornecedores fazerem de tudo”, afirmou ele à Reuters, por telefone, de Barcelona, Espanha, onde acontece o Mobile World Congress.

“Nessa onda da 3G no Brasil, os contratos estão indo, na maior parte, para três empresas: Ericsson, Nokia-Siemens e Huawei”, disse. “Na Brasil Telecom, vimos a ZTE e não a Huawei, mas isso indica que as operadoras estão preferindo ter pelo menos um fornecedor chinês que ajuda a puxar o preço para baixo na concorrência.”

EFEITO 3G NA INDÚSTRIA

Uma importante fornecedora que ainda não abocanhou qualquer contrato para instalação de redes 3G foi a Alcatel-Lucent, que esteve até o último momento na disputa pelo contrato da Brasil Telecom e perdeu por preço, segundo uma fonte. A empresa é, no entanto, responsável pela manutenção de toda a rede de segunda geração GSM da operadora, num contrato de 2 bilhões de reais em dois anos, anunciado no final de janeiro.

“A Lucent era muito bem posicionada no padrão CDMA e a Alcatel começou a produzir GSM atrás das outras. Na verdade, como nunca teve posição forte no Brasil, não é algo totalmente inesperado (que tenha ficado sem contrato de 3G)”, comentou Tude.

Ele observou que a franco-americana Alcatel-Lucent, resultado de uma fusão em 2006, está tratando de se preparar para a próxima geração da telefonia móvel. A Alcatel-Lucent anunciou esta semana, em Barcelona, parceria com a japonesa Nec justamente com essa finalidade.

Já a clara liderança da Ericsson nessa nova leva de contratos de 3G é encarada com naturalidade pelo consultor, uma vez que a fabricante tem há muitos anos grande parte do mercado brasileiro.

O momento é de entusiasmo na indústria local. Segundo avaliação preliminar da Abinee, entidade do setor eletroeletrônico, as vendas ficaram acima do esperado em janeiro em todos os segmentos, exceto componentes.

Ainda é cedo, porém, para afirmar de que já se trata do “efeito 3G”, afirmou um especialista. Mas essa tecnologia, que permite, por exemplo, videoconferência pelo celular, é tratada como uma “nova era” para o setor.

Até as exportações de aparelhos celulares devem ter uma retomada logo no início deste ano, na projeção da Abinee.

Dados atualizados da associação obtidos pela Reuters mostram estimativa de 30 por cento de crescimento na produção de celulares para venda ao exterior, podendo chegar a 30 milhões de unidades em 2008. O mercado local deve ficar com outros 48 milhões de unidades, expansão de 7 por cento. No cômputo geral, a indústria prevê aumento de 15 por cento na produção brasileira de celulares no ano.

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