16 de Julho de 2008 / às 14:21 / 9 anos atrás

Oi e Brasil Telecom vivem compasso de espera

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Em meio ao processo de mudança nas regras do setor, iniciado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em junho, a expectativa dos analistas sobre o desempenho das três concessionárias de telefonia fixa do país (Oi, Brasil Telecom e Telefônica) no segundo trimestre do ano é baixa. Eles acreditam ter se tratado de um trimestre estável, quase em compasso de espera.

Na avaliação de analistas ouvidos pela Reuters, um fato extraordinário que poderá ser visto é o pagamento de 315 milhões de reais que a Oi se comprometeu a fazer para por fim aos litígios com o Opportunity e demais sócios da Brasil Telecom, como parte do acordo para comprar o controle da companhia.

Os analistas acreditam que tal pagamento seja contabilizado neste segundo trimestre e, por isso, afete o lucro da Oi. O acordo entre as duas operadoras foi assinado em 25 de abril, mas a concretização do negócio ainda depende de uma mudança no atual Plano Geral de Outorgas (PGO) e de autorizações da Anatel e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

No caso da Brasil Telecom, a primeira das concessionárias a divulgar o balanço de segundo trimestre na noite desta terça-feira, os resultados devem ser melhores que o mesmo trimestre do ano passado, mas a margem Ebitda projetada na média entre os analistas é menor.

A expectativa média de cinco analistas é de que o lucro líquido da Brasil Telecom seja de 197,5 milhões de reais, uma alta de 36 por cento sobre o resultado do mesmo período de 2007.

Já a margem Ebitda deverá ficar em 34,6 por cento, segundo a projeção dos analistas, índice que foi de 35,5 por cento no segundo trimestre do ano passado. Enquanto isso, a receita líquida deverá subir dos 2,74 bilhões de reais para 2,81 bilhões.

“Não há grande expectativa nem positiva nem negativa. A empresa está desacelerando alguns projetos e evitando começar negócios que tenham de ser desfeitos depois”, disse um analista que preferiu não ser identificado.

Ele afirma que a empresa já começa a se preparar para a incorporação pela Oi e, por isso, estaria evitando a entrada em projetos nos quais a nova controladora possa não ter interesse.

A analista Jacqueline Lison, do Banco Fator, opina que a queda nas margens Ebitda é provocada por uma alteração no mix de telefonia móvel e aos maiores custos com pessoal, depois da decisão de internalizar o centro de atendimento a clientes, segundo o relatório da analista.

Ela também afirma não esperar que o resultado tenha impacto nas ações, “cujo desempenho está mais atrelado ao fluxo de notícias sobre a eventual venda de seu controle para a Oi”, segundo o relatório.

No caso da Oi, ainda não está claro para alguns analistas como a empresa vai consolidar os resultados da Amazônia Celular, operadora que ela adquiriu da Vivo no final do ano passado.

De qualquer forma, o esperado pagamento para por fim aos litígios entre os sócios da Brasil Telecom “deve afetar o resultado final”, na avaliação de Alex Pardellas, do Banif Investment Banking, que acredita que o montante seja contabilizado como efeito extraordinário.

Na média entre os analistas consultados, a expectativa é que o lucro da Oi caia para 446,5 milhões de reais, ante os ganhos de 788 milhões de reais de igual trimestre de 2007.

Eles estimam que a receita fique próxima de 4,55 bilhões de reais, cifra que foi de 4,35 bilhões um ano antes, enquanto a margem Ebitda esperada é de 34,7 por cento, com alta de um ponto percentual.

Menos acompanhada pelos analistas diante do baixo volume de ações em circulação, a expectativa em relação à Telefônica é de que as vendas de TV paga apresentem alta expressiva.

Para Pardellas, a operadora tem conseguido ampliar as vendas de pacotes de TV paga, nos quais ela inclui também telefonia fixa e banda larga desde o ano passado, “embora isso ainda seja pouco representativo” no resultado total, segundo ele.

Pardellas também espera que a operadora apresente despesas de pessoal menores, diante da decisão de terceirizar cerca de 1.000 empregados no início do ano, em atividades como manutenção da rede.

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