18 de Março de 2008 / às 15:35 / em 10 anos

Nokia põe usuários para trabalhar enquanto toma Web

Por Tarmo Virki

HELSINQUE, Finlândia (Reuters) - Um vídeo bastante popular no YouTube mostra um “celular conceitual” que poderia literalmente se dobrar para se prender ao pulso. Chamado de Nokia Morph, o aparelho também é uma imagem de como a maior fabricante mundial de celulares quer mudar.

À medida que a Internet se torna mais móvel e empresas como Apple e Google encontram maneiras interessantes de estimular a tendência, a líder no mercado de celulares está reescrevendo as regras de seu desenvolvimento de produtos. Em lugar de trabalhar em segredo, isolada, ela está começando a compartilhar suas idéias.

“Para a Nokia, essa é provavelmente a maior aposta desde que eles ingressaram no mercado de celulares”, disse Ben Wood, diretor de pesquisa da CCS Insight, que acompanha a firma finlandesa desde 1994.

Além de colocar idéias futuristas em sites de vídeo --como no caso do Morph, que ilustra um aparelho flexível, movido a energia solar, capaz de seu autolimpar e dotado de faro--, a Nokia está convidando blogueiros e especialistas em mídia com bons conhecimentos tecnológicos a participar de sessões de criação para o desenvolvimento de futuros produtos.

“Compreendemos no começo de 2005 que, se nos concentrássemos apenas em inovação vinda de dentro, estaríamos limitando o escopo de nosso avanço”, disse o vice-presidente de tecnologia Bob Iannucci, em entrevista à Reuters. “Queremos idéias mais loucas.”

Em jogo está uma parcela da próxima fase do crescimento da Internet em um momento de necessidade de se contrabalançar a tendência que torna os celulares cada vez mais parecidos entre si. A Forrester Research calcula que o número de usuários da Internet móvel triplique na Europa Ocidental ao longo dos próximos três anos, para 125 milhões de pessoas, e a Nokia sabe que sua margem de liderança de dois dígitos no mercado de celulares cairá.

Para evitar isso e avançar no segmento de serviços de Internet, a Nokia planeja usar sua base de 1 bilhão de consumidores --um sexto da humanidade-- para consultá-la sobre o que funciona, o que deslumbra, e o que não faz efeito num celular. Diante do muito alardeado Apple iPhone, que até o momento vendeu apenas 5 milhões de unidades, isso coloca a empresa em situação muito forte.

O mercado de serviços de Internet está se aproximando da marca dos 100 bilhões de euros e a Nokia é a primeira fabricante de celulares grande a abraçar os negócios da mídia online. Os rivais mais próximos Samsung e Sony Ericsson podem segui-la, mas estão alguns anos atrás.

Atualmente a maior companhia de tecnologia não norte-americana do mundo em valor de mercado, controlando 40 por cento dos aparelhos móveis do planeta, a Nokia ainda busca crescimento.

MUDANÇA NOS GENES

E o crescimento pode vir da mudança nos genes da Nokia. Fundada em 1865 como uma madeireira, sua marca, avaliada em 33,7 bilhões de dólares, já foi estampada em produtos de papel, botas de borracha e aparelhos de televisão antes da companhia se concentrar no mercado de celulares 16 anos atrás.

Mas o processo de desenvolvimento e teste de novos modelos de celulares até pouco tempo era feito sob nível de sigilo de Estado e os resultados nem sempre agradavam.

Wood, da CSS Insight, afirmou que no passado a Nokia “desenvolvia produtos atrás de portas fechadas em uma sala sem janelas. E sobre alguns produtos eu já cheguei a perguntar: Vocês mostraram esses aparelhos a alguém antes?”

Em 2003, críticos e usuários riram do celular para videogames da Nokia, que tinha de ser segurado da maneira mais incomum, de lado, para se fazer chamadas. No mesmo ano a Nokia lançou seu primeiro celular para mídia digital, o desajeitado 7700, mas acabou retirando os planos de produção após receber fortes críticas sobre o aparelho.

Apesar de seus designs mais conservadores terem apelo de massa, a Nokia perdeu muitas tendências importantes nos últimos anos, como flips, aparelhos finíssimos e telas sensíveis a toques, por exemplo.

O conceito Morph, que a Nokia está explorando com pesquisadores de nanociências da Universidade de Cambridge, é um exemplo de um método mais consultivo no desenvolvimento de designs: combinação de conhecimento de nano partículas e eletrônica para ver, por exemplo, se um circuito elástico pode ser feito. Outra idéia foi a divulgada pela Nokia em fevereiro, de celular produzido quase que totalmente a partir de materiais reciclados.

“A capacidade de incluir um grande número de usuários no ciclo de desenvolvimento significa que você pode ter uma estratégia muito mais colaborativa e você pode testar idéias, refiná-las e seguir adiante, ou falhar e desistir rápido de um projeto”, disse Iannucci, da Nokia.

Enquanto isso, o blogueiro Oliver Thylmann (blog.thylmann.net), que participou de uma oficina de desenvolvimento de produto da Nokia este mês, afirma que “como companhia, você não pode mais se fechar para o mundo. Se você está trancado em sua torre de marfim e a discussão lá fora tem relação com você, faz sentido sair e participar da conversa”.

O site de testes de software da Nokia (www.nokia.com/betalabs) recebe mais de um milhão de visitantes por mês. O mantra interno é “fracasse rápido, aprenda rápido, cresça rápido”.

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