19 de Abril de 2008 / às 18:03 / 9 anos atrás

Muitos 'aprendizes de Maddog' e poucos engravatados em fórum

Por Taís Fuoco

PORTO ALEGRE (Reuters) - Já se trata da nona edição e o público cresce a cada ano, com recorde de 6,6 mil visitantes em 2008. Mas o Fórum Internacional de Software Livre, que se encerra neste sábado, ainda parece atrair mais o interesse dos estudantes que dos engravatados.

Os corredores desta edição do evento estavam repletos deles --jovens e até crianças eram maioria esmagadora na comparação com adultos e executivos de negócios.

Vários adolescentes e universitários adotavam o "jeito Maddog de ser": cabelos e barbas longas, ao estilo de Jon Maddog Hall, norte-americano que é um dos principais defensores do software livre e que chegou a trabalhar em parceria com Linus Torvalds, o criador do sistema operacional Linux.

Ainda não existem estatísticas oficiais do perfil do público, mas o clima de evento universitário superava de longe o de um evento de tecnologia e negócios.

Na lista de patrocinadores, no entanto, nomes de grandes empresas mostram a atenção que o assunto software livre tem despertado no mundo corporativo. Companhias como UOL, Terra, Telefônica, Google e Intel compraram cotas de patrocínio do evento, as duas últimas em sua estréia este ano.

O Google, no entanto, teve de colocar um cartaz em seu estande, escrito à mão, para informar: "não estamos entregando camisetas".

O convite para a festa de encerramento também deu pistas do aspecto ainda muito juvenil do evento. Hackers com habilidades como DJs eram convidados para animar a ocasião.

O evento misturou estandes de netbooks -- versão mais moderna de notebook com tamanho reduzido -- rodando com software livre a outros de artesanatao e sementes, já que o clima exigia ser o mais livre possível.

Maddog, presente mais uma vez ao fórum, de bermudas e sua longa barba branca, convidava os pesquisadores a "divertir-se" com o software livre, mas ressaltou a necessidade de que ele chegue às massas, se popularize e não fique restrito às empresas ou a aplicações muito específicas.

Ele admitiu que tal processo "leva um longo tempo", mas disse já ter percebido avanços no mercado brasileiro. "Sistemas como o navegador Firefox já são bastante populares aqui", afirmou.

"O movimento (de popularização) está em curso", reiterou o pesquisador, que estuda softwares de códigos abertos há 40 anos.

Para ele, países como Brasil e Alemanha estão liderando o que considera "uma tendência mundial". Vizinhos do Brasil na região, como Uruguai e Costa Rica, "já fazem alguma coisa (em software livre), mas nada parecido" ao que se vê no Brasil, disse ele.

Quanto ao fato dos sistemas de código aberto estarem mais presentes nas corporações do que na casa das pessoas, Maddog afirmou que "na medida em que as pessoas se acostumarem com os sistemas abertos nas empresas em que trabalham, adotarão com mais facilidade esse tipo de software em casa também".

Edição de Silvio Cascione

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below