31 de Outubro de 2007 / às 11:33 / em 10 anos

Laptop de US$100 dólares agora custa US$200

Por Jim Finkle

BOSTON, Estados Unidos (Reuters) - Um computador desenvolvido para ajudar no ensino de crianças pobres do mundo e conhecido como “laptop de 100 dólares”, atingiu um novo marco: está sendo vendido por 200 dólares.

A One Laptop per Child Foundation, criada por Nicholas Negroponte, professor do MIT, começou a oferecer as máquinas verdes e brancas em lotes de 10 mil ou mais unidades em seu site (here), a um preço de 200 dólares a unidade.

Esse preço se aplica a aquisições por doadores que selecionam o país para o qual as máquinas serão enviadas, em um programa recentemente criado pela fundação para ajudar a bancar o lançamento do produto.

Duas semanas atrás, um executivo da fundação reiterou declarações anteriores de que o custo de produção do aparelho seria de 188 dólares, superando a estimativa de 150 dólares apresentada em fevereiro e o objetivo original de um preço de 100 dólares.

Não ficou claro por que o preço das máquinas no programa para grandes doadores descrito pelo site da OLPC é superior ao custo de 188 dólares, e a fundação preferiu não comentar o assunto.

Os laptops devem entrar em produção no mês que vem em uma fábrica na China, com atraso em relação ao cronograma original, e em volume equivalente a apenas uma fração das projeções iniciais de Negroponte.

Não se sabe quando as máquinas estarão prontas para uso pelos clientes, já que o site informa que a versão 1.0 do software que acionará os laptops só estará pronta a partir de 7 de dezembro.

Quando Negroponte declarou que seria possível construir laptops por 100 dólares, os analistas disseram que a idéia tinha o potencial de revolucionar a indústria dos computadores, dando início a uma era de computação de baixo custo.

Ele esperava manter o preço baixo ao obter economia de escala sem precedentes para um fabricante novato, e em abril informou à Reuters que esperava receber 2,5 milhões de encomendas até maio, com a produção começando em setembro.

Mas as expectativas não se confirmaram. Até agora, a fundação revelou pedidos de três países --Uruguai, Peru e Mongólia-- e não informa o número de máquinas encomendadas.

Wayan Vota, um especialista no uso da tecnologia na promoção de desenvolvimento econômico que mantém o blog olpcnews.com, estima encomendas de não mais de 200 mil unidades do laptop.

“Cem dólares nunca foi um preço realista. Começando com um preço irreal, ele reduziu sua credibilidade na venda do laptop”, disse Vota.

Negroponte, um especialista carismático em tecnologia que tem entre seus amigos o presidente-executivo do grupo de mídia News Corp, Rupert Murdoch, e o bilionário mexicano Carlos Slim, atraiu muito atenção para a fundação.

Ele reuniu-se com líderes ao redor do mundo e promoveu a introdução de computadores em salas de aula nos países mais pobres do mundo. Conforme fez isso, grandes companhias de tecnologia começaram a ampliar investimentos em esforços similares.

O laptop da OLPC é equipado com uma câmera de vídeo, recursos de rede sem fio e software Linux. A máquina pode ter sua bateria recarregada manualmente.

A Microsoft está tentando fazer com que seu sistema operacional Windows XP possa funcionar no equipamento e recentemente informou que está a alguns meses de saber com certeza se poderá concluir a tarefa.

A tela do laptop da fundação troca de colorido para branco e preto quando o usuário tenta visualizá-la sob a luz solar direta, um avanço que a OLPC está patenteando e pode licenciar para uso comercial no próximo ano.

A máquina precisa de apenas 2 watts de energia para funcionar ante os 30 a 40 watts necessários em um laptop comum. O equipamento não tem disco rígido e armazena dados em memória flash. Além disso, portas USB podem ser usadas para conectar drives de memória adicional e outros dispositivos.

Mais cedo neste ano, a fundação aliou-se à Intel, que está desenvolvendo uma máquina rival. As duas organizações podem trabalhar em conjunto em uma segunda geração do laptop, depois que a primeira versão foi desenvolvida com chips da AMD, rival da Intel.

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