29 de Setembro de 2008 / às 14:29 / em 9 anos

Na Islândia, os cérebros por trás de próteses de corrida

Por Adam Cox

<p>Oscar Pistorius, da &Aacute;frica do Sul, cruza linha de chegada na frente do norte-americano Jerome Singleton, na final dos 100 metros T44 dos Jogos Para-Ol&iacute;mpicos de Pequim, em 9 de setembro.</p>

REIKJAVIK (Reuters) - Se parece estranho um homem com as pernas amputadas abaixo do joelho ser um dos mais velozes corredores do planeta, imagine poder digitar simplesmente pensando nas palavras ou se manter bem fisicamente na velhice.

Esse tipo de trabalho prostético é a ocupação da Ossur, a empresa islandesa por trás da prótese responsável por atrair a atenção do mundo para Oscar Pistorius, atleta que teve as duas pernas amputadas e ficou bem próximo de conseguir o tempo necessário para disputar a Olimpíada de Pequim.

Além de produzir membros artificiais cuidadosamente adaptados para mudar as vidas de pessoas deficientes, a única grande fabricante mundial de próteses que tem ações negociadas em bolsa também antecipa o dia em que a robótica e a neurociência poderão mudar as vidas de muito mais pessoas.

“O que devemos fazer é comparar aquilo que desenvolvemos com o corpo real”, disse Jon Sigurdsson, presidente-executivo da Ossur. “E quando o fazemos constatamos que ainda resta um longo caminho a percorrer. Tentar imitar Deus é uma experiência que ensina muita humildade.”

Com valor de mercado de cerca de 431 milhões de dólares, a empresa ainda é pequena no campo de equipamento médico, mas está posicionada para crescer.

Hilmar Janusson, o vice-presidente de tecnologia, imagina o dia em que próteses poderão ser controladas por nossos nervos em lugar de por sistemas como teclados de computador.

O que é necessário --e Janusson faz com que isso soe quase fácil-- é compreender os sinais que correm pelo nosso sistema nervoso. “Tão logo comecemos a compreender e a basicamente decodificá-los de forma aproveitável, as coisas acontecerão com muito mais rapidez”, disse ele.

Trata-se de um objetivo que o mundo acadêmico também vem perseguindo. Em maio, a Universidade de Pittsburgh divulgou que um macaco, com microeletrodos implantados no cérebro, foi capaz de operar mentalmente um braço robotizado para tirar um marshmallow de uma panela e colocá-lo na boca.

O grande salto pode não estar muito longe, de acordo com Yoky Matsuoka, uma especialista em robótica e neurociência na Universidade de Washington, que está trabalhando o controle de braços e mãos por meio de sinais nervosos.

“Eu creio que já estamos testemunhando o começo de um grande passo”, disse ela sobre a perspectiva da decodificação do sistema nervoso. “Claro, uma decodificação completa e um controle perfeitamente natural podem não ocorrer em nossa vida.”

Matsuoka espera que cientistas consigam chegar a um ponto onde uma pessoa poderá manipular um objeto pelo pensamento. “Girar uma caneta ou amassar um pedaço de papel em uma velocidade humana pode ser um pouco difícil. Tem uma resposta sensorial para substituição da mão de um cirurgião pode levar ainda mais tempo”, disse ela.

Mas Janusson está mais empolgado com metas mais simples. Ele fala sobre o dia, por exemplo, quando pessoas feridas por minas terrestres possam ter próteses de última geração a um custo mínimo.

Ele acredita que as próteses um dia poderão ser usadas para ajudar uma porção muito mais ampla da população. Permitir que os velhos continuem ativos, por exemplo, poderia estender a vida.

“Todos nessa área concordam comigo, que o nível de atividade faz diferença no tanto que você vive”, disse Janusson.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below