2 de Outubro de 2008 / às 10:31 / 9 anos atrás

ENTREVISTA-GVT avança na seara de rivais e não teme nova OI

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Enquanto muitos especialistas do mercado consideram a telefonia fixa quase ultrapassada, a GVT avança tanto sobre o território de rivais como em suas participações de mercado.

A empresa já controla, em média, 15 por cento dos clientes de telefonia fixa nas cidades em que atua, segundo seus próprios cálculos e, em uma delas (Maringá, no Paraná) chega a 36 por cento, segundo dados da concorrente Brasil Telecom.

“Maringá vive uma situação específica, porque parte da nossa central de atendimento fica na cidade, somos um grande empregador em Maringá e é natural que a população crie um vínculo maior”, explica Alcides Troller, vice-presidente da unidade de negócios varejo da GVT, em entrevista à Reuters.

A companhia foi criada como “espelho” da Brasil Telecom em 2000, no modelo que previa uma empresa autorizada concorrendo com cada concessionária.

A GVT foi a única remanescente original entre as empresas que tentaram ser “espelho” no Brasil. Em boa parte do país, as concessionárias controlam mais de 90 por cento dos assinantes de telefonia fixa. Depois de se estabelecer nos 10 Estados em que a Brasil Telecom atua, com 1,54 milhão de linhas em serviço no final de junho, a GVT decidiu também adquirir licença de telefonia fixa para todo o Brasil.

Sete anos depois da sua criação, ela iniciou o movimento rumo a outras capitais do país, de olho em mercados onde havia pouca ou nenhuma competição com as concessionárias tanto na telefonia local como na Internet de banda larga. A primeira foi Belo Horizonte (MG), em setembro de 2007, e a segunda foi Salvador (BA), há duas semanas, com as quais a GVT passa a competir também com a Oi.

A GVT tem planos de ser uma operadora nacional, mas só vai atuar nas cidades em que puder implantar seu modelo de negócios e onde visualizar potencial de mercado, disse Troller. Os critérios para a escolha dos municípios envolvem desde o tamanho da cidade, a concentração demográfica e a qualificação da mão-de-obra local.

Como é autorizada, e não concessionária, a GVT pode escolher aonde quer atuar. Por isso, privilegia os mercados em que perceba potencial de rentabilidade.

“A telefonia fixa tem muitas peculiaridades, é preciso um investimento inicial muito grande para construir a rede”, diz ele. A empresa adotou como meta só ingressar em um novo mercado se tiver cobertura em pelo menos 20 por cento da cidade.

Como teve de começar a divulgação de sua marca do zero, a estréia em Belo Horizonte “foi uma decisão cercada de incertezas, mas, como a experiência foi muito positiva, decidimos lançar em Salvador no mesmo mês, um ano depois”, afirmou Troller.

A possibilidade de concorrer com a Oi após a compra da Brasil Telecom, transação que ainda depende de mudanças no atual Plano Geral de Outorgas (PGO), não terá impacto na estratégia de atuação da GVT, segundo o executivo.

“São duas empresas com marcas fortes e alta capacidade gerencial, mas os produtos e serviços não se complementam. É praticamente o mesmo negócio, só vai ficar maior”, disse ele.

PORTABILIDADE

Como leva competição a mercados com poucos concorrentes, a GVT é considerada uma das grandes beneficiárias do recurso da portabilidade numérica, que permite trocar de operadora e manter o número da linha.

Troller, no entanto, salientou que “ainda é prematuro tirar alguma conclusão”, já que o serviço está disponível há um mês e em apenas oito localidades do país.

“Sempre consideramos (a portabilidade) uma oportunidade para a gente, mas ainda não temos condições de avaliar o tamanho dessa oportunidade”.

Listada no Novo Mercado da Bovespa desde o ano passado, a empresa fechou o segundo trimestre do ano com receita líquida de 317 milhões de reais, alta de 35,5 por cento sobre igual período do ano anterior, e lucro líquido de 58 milhões de reais, cifra 35 por cento maior que no mesmo trimestre de 2007.

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