19 de Novembro de 2008 / às 21:41 / em 9 anos

Teles brasileiras buscam ajuda do governo para falta de crédito

Por Walter Brandimarte

NOVA YORK (Reuters) - As empresas de telefonia celular no Brasil pediram ao governo para adiar o pagamento das taxas de fiscalização, além do pagamento das licenças de terceira geração, como forma de manter investimentos em um momento de aperto de crédito, disse o presidente da Vivo, Roberto Lima, na quarta-feira.

Lima afirmou que as empresas brasileiras e os consumidores irão sentir os efeitos da retração no crédito em 2009, o que poderá resultar em maiores taxas de desemprego e menor rendimento à população.

“Sendo um setor com uma importância tão grande para o desenvolvimeno do Brasil, o governo, assim como está fazendo com outros setores, deveria também se preocupar em manter esse segmento com uma certa tranquilidade para poder planejar”, Lima afirmou à Reuters em uma entrevista na bolsa de Nova York (Nyse).

Segundo ele, “a decisão tem que ser tomada agora para que o investimento seja realizado daqui a seis meses. O que nós não podemos é, nesse momento, em função de uma situação conjuntural, tomar a má decisão que seria parar os investimentos”.

A Vivo, maior operadora de celular do Brasil, e outras operadoras do país, levaram ao Ministério das Comunicações, através da associação de classe Acel, pedido para adiar até o final de 2009 o pagamento das licenças de terceira geração adquiridas no final do ano passado e cujo pagamento, total ou parcial, deve ser feito no dia 10 de dezembro.

Elas também pedem que o governo adie o pagamento da contribuição anual para o fundo Fistel, de fiscalização do segmento, cujo vencimento se dá em março de 2009.

As medidas, se aprovadas pelo governo federal, poderiam dar à Vivo um alívio temporário de caixa de 1,64 bilhão de reais (690 milhões de dólares), dos quais 1,1 bilhão de reais se devem às licenças de 3G, segundo o executivo.

A empresa, controlada pelos grupos Portugal Telecom e Telefónica Móviles, tem recursos suficientes para atender suas obrigações do primeiro trimestre de 2009, disse Lima, acrescentando que mais linhas de crédito de fontes oficiais também poderiam ajudar o setor a atravessar o próximo ano.

REDUZIR CUSTOS

A estratégia da Vivo para 2009 inclui corte de custos para manter um fluxo de caixa saudável, enquanto segue na política de reduzir preços para ajudar os clientes diante da retração de crédito e de um possível aumento do desemprego.

Apesar das condições de mercado desfavoráveis, Lima não estima uma queda expressiva nos índices de crescimento do mercado de celular em 2009, uma vez que o Brasil ainda tem muitas áreas descobertas em redes de telefonia móvel e novas receitas são esperadas dos serviços de terceira geração.

Os planos de investimentos da Vivo, entretanto, ainda dependem da performance da economia no próximo ano, disse Ernesto Gardelliano, vice-presidente de finanças da companhia.

“Se o mercado continuar fechado daqui para a frente, todas as nossas expectativas de crescimento vão ser afetadas”, disse ele.

“Caso os novos assinantes e a base existente forem impactados, quer dizer que investir em nova capacidade que não vai ser utilizada não vai ter sentido nenhum”, ponderou Gardelliano.

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