20 de Abril de 2009 / às 16:48 / 8 anos atrás

Com Sun, Oracle quer ingressar no mercado de hardware

Por Jim Finkle

BOSTON (Reuters) - A Oracle planeja entrar no mercado de hardware ao adquirir a Sun Microsystems por mais de 7 bilhões de dólares. A empresa decidiu entrar na disputa pela companhia depois que as negociações entre a Sun e a IBM fracassaram.

O anúncio, nesta segunda-feira, surpreendeu muitos observadores da Oracle, que acreditam que a empresa pode reforçar a lucratividade dos negócios de software da Sun, mas não estão certos de que seria possível obter sucesso equivalente com a divisão de hardware da empresa, que enfrenta forte concorrência da IBM, Hewlett-Packard (HP), Dell e a Cisco Systems, que acaba de ingressar no mercado de hardware.

"Trata-se de um acordo original, inesperado, porque a Oracle está adquirindo uma empresa cujo negócio predominante é o hardware", disse Ross MacMillan, analista da Jefferies & Co. "A indefinição do acordo é que o negócio de hardware parece incerto, enquanto o acréscimo de receita das operações de software parece garantido".

A Oracle pagará 9,50 dólares por ação da Sun, o que leva o valor do negócio para 7,06 bilhões para a produtora de servidores de alta potência e software, com base nos 743 milhões de ações em circulação no final do segundo trimestre do ano fiscal da empresa, encerrado em 28 de dezembro, de acordo com a Sun.

A Sun havia rejeitado uma oferta anterior de 9,40 dólares por ação apresentada pela IBM, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

As ações da Sun subiram 35,7 por cento, para 9,08 dólares, no pregão matinal da Nasdaq, enquanto as ações da Oracle caíram 3,7 por cento, para 18,36 dólares. As ações da IBM, que preferiu não comentar de imediato, caíram 1,8 por cento, para 99,49 dólares.

Safra Catz, presidente da Oracle, declarou em coletiva telefônica que a Oracle pretende tirar a divisão de hardware do vermelho. Os produtos mais vendidos da Sun são servidores e equipamento de armazenamento de dados de alta potência.

Catz disse que a aquisição, que as empresas esperam concluir no terceiro trimestre, acrescentará pelo menos 0,15 dólar de lucro por ação no primeiro ano da parceria.

A transação será mais lucrativa no primeiro ano, em base por ação, do que nas aquisições anteriores da BEA, PeopleSoft e Siebel combinadas, disse Catz.

AMIGAS DE LONGA DATA

O presidente-executivo da Oracle, Larry Ellison, e o presidente do conselho da Sun, Scott McNealy, são dois pioneiros do Vale do Silício que se tornaram bons amigos ao longo do anos, à medida que suas empresas trabalhavam juntas para enfrentar rivais como a Microsoft e a IBM.

A Oracle e a Sun são parceiras há mais de 20 anos. Os softwares de banco de dados da Oracle estão estreitamente integrados ao software Java e ao sistema operacional Solaris da Sun.

"O acordo deve reforçar a posição da Oracle diante da IBM. A Oracle fez um bom trabalho em aquisições anteriores", disse Robert Jakobsen, analista do Jyske Bank, em Copenhagen. "A transação também faz sentido historicamente. A Oracle vem obtendo mais sucesso do que a Sun na comercialização de software".

A Sun vai elevar em mais de 1,5 bilhão de dólares o lucro operacional da Sun no primeiro ano e o total pode se elevar a mais de 2 bilhões de dólares adicionais no segundo ano, segundo a Oracle.

A Sun conquistou importância nos anos 90, mas jamais se recuperou plenamente do estouro da bolha da Internet, no começo dos anos 2000, quando a demanda por seus servidores de alta potência entrou em colapso.

A companhia estava procurando por um comprador há meses, de acordo com executivos do setor financeiro, e IBM, Oracle, HP, Dell e Cisco foram todas mencionadas como possíveis compradores.

Os analistas afirmaram que a venda da Sun pode sinalizar uma nova onda de fusões e parcerias no mercado de centrais de processamento, à medida que as empresas se esforçam por oferecer serviços mais abrangentes que combinem ofertas de hardware e software.

"Isso coloca a Oracle em concorrência mais direta com a HP, IBM e Microsoft. Isso os coloca em posição competitiva nesse espaço", disse Shannon Cross, da Cross Research. "E lhes dá hardware, o que deve ser interessante, porque a Oracle não atua nesse segmento. Isso lhes dará acesso a clientes que não usavam os produtos de bancos de dados da Oracle", acrescentou.

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