July 21, 2009 / 2:42 PM / 9 years ago

Índia vira polo de pesquisa, com cortes de custos na tecnologia

Por Rina Chandran

Homem fala em celular diante de anúncio de abertura de feira de tecnologia Mumbai.

BANGALORE (Reuters) - No centro de pesquisa que a Microsoft mantém na arborizada capital indiana da tecnologia, uma nova geração de pesquisadores está sendo treinada, a meio mundo de distância da imensa sede da empresa, em Seattle.

O centro está ajudando a mudar a percepção de que a Índia não é o lugar ideal para trabalho de ponta no ramo de pesquisa e desenvolvimento.

O centro conta com 60 pesquisadores em tempo integral, muitos dos quais indianos que fizeram doutorado em grandes universidades dos Estados Unidos, e é um dos polos de vanguarda nos esforços de pesquisa da Microsoft. Seu trabalho se concentra em sete áreas de pesquisa, entre as quais mobilidade e criptografia.

O sucesso do centro, que inclui o desenvolvimento de uma popular ferramenta para o Bing, o novo serviço de buscas da Microsoft, sublinha o potencial da pesquisa e desenvolvimento na Índia em um momento na qual as empresas, preocupadas com os custos, estão ávidas por transferir operações a centros mais baratos a fim de economizar dinheiro, aproveitando o talento dos pesquisadores estrangeiros.

Demonstrando a ferramenta do Bing que permite buscas por locais ainda que o usuário só disponha de um endereço incorreto ou incompleto, B. Ashok, diretor de uma unidade de pesquisa do centro, afirmou que aquela inovação jamais teria fincado raízes se o trabalho de pesquisa e desenvolvimento tivesse acontecido nos EUA.

“O projeto foi completamente inspirado pelo ambiente indiano, mas tem aplicações em todo o mundo”, disse.

Embora a Índia possa parecer uma localização natural para a expansão das atividades de terceirização rumo à pesquisa e desenvolvimento, o país sofre alguns sérios problemas estruturais, como por exemplo a falta de pesquisadores locais ou a falta de apoio do governo.

A Índia coloca no mercado 300 mil formandos em ciência da computação a cada ano, mas só 100 doutores em computação, uma pequena fração dos 1,5 mil a dois mil doutorados conferidos a cada ano nesse ramo da ciência em países como os EUA e a China.

“Os estudantes aqui não ficam expostos a pesquisas desde cedo, os professores idem, e falta um plano de carreira que incentive a inovação, devido à pressão para que os formandos obtenham logo um emprego ‘real’”, disse Vidya.

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