November 18, 2009 / 9:40 PM / 9 years ago

Sem explicações, Telesp mantém leilão de compra de ações da GVT

SÃO PAULO (Reuters) - A Telesp, unidade do grupo espanhol Telefónica no Brasil, comparecerá na quinta-feira ao leilão de compra de ações da rival GVT na Bovespa, mesmo sabendo de antemão que a Vivendi assegurou fatia de 57,5 por cento na empresa que foi alvo de intensa disputa.

Em um movimento orquestrado, a Vivendi ofereceu na última sexta-feira pagar 56 reais por ação da GVT, valor 33,3 por cento maior que o apresentado pelo grupo francês de mídia em meados de setembro, de 42 reais.

Em outubro, a Telefónica se dispôs a pagar 48 reais por ação da GVT e em seguida ela mesma subiu a oferta para 50,50 reais.

O edital do leilão —que tem a Telesp como compradora e está marcado para as 15h na Bovespa— tem uma série de condições, com destaque para a exigência de aquisição de ao menos 51 por cento das ações do capital social da GVT.

“Não tem condição de acontecer nada amanhã, dada a condição de ter pelo menos 51 por cento de adesão”, observou a analista Luciana Leocadio, da corretora Ativa.

“Também não faz nenhum sentido um investidor vender o papel a 50,50 reais para a Telefónica sabendo que a Vivendi fará uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) a 56 reais”, acrescentou.

A Vivendi informou no final da semana passada que, a 56 reais por ação, já garantiu a compra de 37,9 por cento das ações da GVT junto a investidores e que tem opção irrevogável para adquirir mais 19,6 por cento do total.

Poucos no mercado acreditavam que o grupo francês voltaria à carga na disputa pela GVT, por ser avesso, historicamente, a entrar em guerras de preços por ativos.

Procurada, a Telefónica informou, por meio de sua assessoria de imprensa no país, que não se pronunciaria além do esclarecimento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta tarde, de que a Telesp comparecerá ao leilão.

A CVM, por sua vez, informou que não “há o que comentar no momento”, já que a oferta pública está em andamento.

O artigo 261 da lei 6404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, estabelece que um ofertante pode melhorar as condições de preço até 10 dias antes do término do prazo da oferta —o que na prática impossibilitaria uma ofensiva da Telefónica de última hora.

Além disso, o próprio presidente da Telefónica no Brasil, Antonio Carlos Valente, afirmou que o valor de 50,50 reais por ação para comprar a GVT era a “oferta máxima que poderíamos fazer levando-se em conta as sinergias”.

No início da semana passada, executivos da unidade brasileira da Telefónica disseram que a empresa detinha 100 ações da GVT, compradas no mercado.

O objetivo da modesta aquisição foi acompanhar a assembleia de acionistas da GVT, realizada em 3 de novembro, que retirou do estatuto da companhia o mecanismo para evitar que ela fosse alvo de ofertas hostis de aquisição, conhecido como “poison pill”.

A derrubada da “poison pill” era condição para que Vivendi e Telefónica seguissem adiante com seus planos de comprar a GVT. Na ocasião, a Telefónica se absteve de votar, alegando conflito de interesse.

As ações da GVT terminaram esta quarta-feira valendo 0,46 por cento, a 54,90 reais.

Por Cesar Bianconi

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