May 26, 2010 / 4:44 PM / 8 years ago

Complexo tecnológico chinês tenta controlar danos após suicídio

Por Kelvin Soh

O pai Ma Zishan e a irmã Ma Liqun lamentam a morte de Ma Xiangqian em frente à fábrica da Foxconn em Longhua, província chinesa de Guangdong. Eles vestiam branco, a cor tradicional do luto na China. 26/05/2010 REUTERS/Stringer

LONGHUA, China (Reuters) - Vestido de branco, a cor tradicional do luto na China, o pai de Ma Xiangqian, 19, chora do lado de fora dos portões de um amplo complexo tecnológico, em companhia de sua mulher e filha, ajoelhadas a seu lado.

Ma foi um dos nove trabalhadores que morreram aparentemente por suicídio em complexos industriais estreitamente vigiados, este ano, o que despertou questões sobre os aspectos mais severos da vida dos operários na região do delta do rio Pérola, na China —conhecida como “a oficina do planeta”.

Os pais dizem que Ma, encontrado morto no sopé de uma escadaria do complexo em janeiro, morreu em circunstâncias misteriosas. E querem saber o motivo.

“Tudo que queremos é a verdade. Não queremos nem mesmo indenização”, disse o pai.

A fábrica em Longhua pertence à Hon Hai Precision Industry, a gigante taiuanesa que produz computadores, consoles de videogames, celulares e outros aparelhos eletrônicos sob contratos com a Apple e muitas outras das grandes marcas mundiais.

O presidente do Conselho da Hon Hai e um dos mais conhecidos empresários de Taiwan, Terry Gou, na quarta-feira conduziu a imprensa em uma rara visita ao complexo industrial na China, parte de um esforço de publicidade sem precedentes a fim de compensar a reação cada vez mais adversa diante dos possíveis suicídios.

“Estou muito preocupado com isso, e nem consigo dormir à noite”, disse Gou. “De um ponto de vista científico, não estou certo de que sejamos capazes de deter todos os casos. Mas, como empregadores responsáveis, precisamos assumir a responsabilidade de preveni-los ao máximo.”

Há muito em jogo para a Hon Hai e sua subsidiária Foxconn, que produz celulares para a Nokia e outras marcas mundiais, em meio aos crescentes apelos de ativistas por um boicote mundial a produtos como os mais recentes modelos do iPhone, da Apple.

“A Hon Hai precisa enfrentar a questão imediatamente. Se não o fizer, Nokia, HP e Apple poderiam reduzir seus pedidos, devido à pressão que as vendas de seus produtos sofreriam”, disse o analista Andrew Deng, da Taiwan International Securities.

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