23 de Junho de 2010 / às 18:10 / 7 anos atrás

Cientistas usam "máquina do fim do mundo" para fazer música

Por Robert Evans

GENEBRA (Reuters) - Cientistas que trabalham com o Grande Colisor de Hádrons (LHC), máquina que busca desvendar as origens do Universo instalada sob os territórios da França e da Suíça, estão convertendo os fenômenos cósmicos pesquisados em melodia com a ajuda de supercomputadores.

Os cientistas que operam a máquina, maior colisor de partículas do mundo, estão usando uma técnica de “sonificação” que converte dados puros gerados pelos experimentos do LHC em sons, afirmou a física Lily Asquith.

Os detectores da máquina podem reconstruir a trajetória das partículas depois que elas são esmagadas nas colisões que ocorrem perto da velocidade da luz e calcular a quantidade de energia que cada uma delas deixa no caminho.

“Se você usar o software corretamente, pode realmente conseguir música boa a partir das trajetória das partículas”, disse Asquith, que trabalha no Atlas, um dos seis detectores do LHC. Ela está entre os idealizadores do projeto chamado LHCsound.

O objetivo principal do projeto é ajudar a promover as pesquisas do CERN, Centro Europeu para Pesquisa Nuclear, junto ao público em geral, em especial os experimentos do LHC, de alto custo.

O colisor recebeu o apelido de “máquina do fim do mundo” por críticos que afirmam que há um suposto risco do experimento produzir um buraco negro que consumiria o planeta.

SONS DA CIÊNCIA

Para conseguir cumprir seu objetivo, a equipe do projeto LHCsound lançou um site (www.lhcsound.com) chamado de “Os Sons da Ciência”, em referência ao sucesso “Sons do Silêncio” de Simon and Garfunkel, da década de 1960.

“Queremos que todos possam compartilhar a maravilha e o entusiasmo do que estamos fazendo e isso parece ser uma boa maneira de mostrar a inspiradora magnificência disso tudo”, disse Asquith.

O CERN, fundado em 1954, é formado por 20 países membros de seu conselho e recentemente permitiu o ingresso do restante do mundo.

Alguns dos sons criados até agora podem ser ouvidos no site, incluindo a encarnação musical do bóson de Higgs, a misteriosa partícula que se acredita ser responsável por conferir massa à matéria e sem a qual nenhum Universo poderia emergir da explosão primordial do “Big Bang” ocorrida há 13,7 bilhões de anos.

“Você pode ouvir o decaimento de um bóson de Higgs no detector Atlas ou uma colisão de próton com próton dentro do LHC”, disse a cientista. Outros sons, criados com a colaboração de músicos, serão adicionados mais tarde.

A equipe do LHCsound também está trabalhando em aplicações para a Apple e em tons de chamada para celulares.

Músicos ao redor do mundo já estão pedindo à equipe arquivos de dados que podem ser lidos pelo Composers Desktop Project (www.composersdesktop.com), voltado para compositores e criadores de sons.

Ainda este ano, o CERN planeja uma performance pública dos sons das partículas tocada por músicos da comunidade científica.

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