March 3, 2011 / 1:28 PM / 7 years ago

Criador do WikiLeaks recorre contra decisão de extradição

Por Michael Holden

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, chega ao tribunal Belmarsh, em Londres, em fevereiro. Assange recorreu da decisão judicial que determinou sua extradição da Grã-Bretanha para a Suécia, disse seu advogado nesta quinta-feira. 24/02/2011 REUTERS/Stefan Wermuth

LONDRES (Reuters) - O fundador WikiLeaks, Julian Assange, recorreu da decisão judicial que determinou sua extradição da Grã-Bretanha para a Suécia por causa de suspeitas de crimes sexuais, disse seu advogado nesta quinta-feira.

Na semana passada, Assange, que enfureceu o governo dos EUA por causa da publicação de milhares de documentos diplomáticos sigilosos, foi informado por um juiz britânico de que iria ser extraditado para a Suécia para responder pelas denúncias de abusos sexuais feitas por duas ex-voluntárias do WikiLeaks.

O australiano, de 39 anos, nega ter cometido crimes sexuais e se diz vítima de uma perseguição política. Seus advogados apresentaram o recurso à Alta Corte de Londres.

Uma voluntária acusa Assange de molestá-la sexualmente, ignorando seu pedido para que ele utilizasse preservativo durante uma relação sexual; a outra o acusa de ter feito sexo com ela enquanto ela dormia, também sem preservativo, o que pela lei sueca é considerado uma forma branda de estupro.

Os advogados de Assange alegam que ele não terá um julgamento justo na Suécia, pois casos de estupro tramitam em sigilo. Eles criticam também o regime europeu de mandados de prisão, que permitiu o pedido de extradição de Assange para a Suécia.

“Essas são questões que deveriam dizer respeito a qualquer pessoa que pense corretamente, e a questão irá ser se devemos enviar pessoas para países que não respeitam os padrões mínimos de direitos humanos”, disse Mark Stephens, advogado de Assange, à Reuters.

O WikiLeaks causou um alvoroço nos meios jornalísticos e diplomáticos quando começou a divulgar, no ano passado, mais de 250 mil comunicações diplomáticas dos EUA, revelando segredos que causaram constrangimentos para Washington e seus aliados.

Na quarta-feira, os militares dos EUA anunciaram mais 22 acusações contra um soldado acusado de permitir o vazamento dos documentos, e promotores norte-americanos examinam a possibilidade de também processar Assange.

Após a decisão judicial da semana passada, Assange, atualmente sob liberdade condicional no interior britânico, acusou os Estados Unidos de pressionarem Grã-Bretanha, a Suécia e a imprensa.

Stephens disse que o recurso deve ser analisado dentro de dois a três meses, e que, se não for acatado, ele poderá solicitar autorização para apelar à Suprema Corte britânica.

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