20 de Abril de 2011 / às 18:28 / em 7 anos

Obama busca magia de 2008 em visita à sede do Facebook

Por Jeff Mason

<p>Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fala em faculdade da Virg&iacute;nia, em 19 de abril de 2011. Obama come&ccedil;ou uma viagem &agrave; costa oeste dos EUA para recapturar a m&aacute;gica de sua campanha eleitoral de 2008. 19/04/2011 REUTERS/Jim Young</p>

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos tomou nesta quarta-feira medidas para recapturar a mágica de sua exuberante campanha eleitoral de 2008 em uma viagem à costa oeste dos EUA que começou na sede do site de rede social Facebook.

Democratas reconheceram que Obama precisará mobilizar muitas das mesmas forças que o levaram à Casa Branca para vencer a reeleição em 2012: um exército de eleitores jovens e cheios de energia assim como uma grande quantidade de eleitores independentes.

Ao visitar a sede do Facebook no Vale do Silício, onde o fundador do site de relacionamentos Mark Zukerberg é um herói, Obama busca se conectar com dezenas de milhões de pessoas que adotaram a mídia social como meio primordial de comunicação.

Obama realizará uma reunião na sede do Facebook, em Palo Alto, na Califórnia, sobre maneiras de reduzir o déficit orçamentário de 1,4 trilhão de dólares. Depois disso ele vai a San Francisco para participar de evento de arrecadação de recursos para o Partido Democrata.

Ele planeja paradas em Las Vegas e Los Angeles antes de voltar a Washington, na sexta-feira.

Obama está iniciando uma campanha para divulgar seus esforços para reduzir o déficit, no momento em que políticos e mercados financeiros se recuperam da ameaça da agência de classificação de riscos Standard & Poor’s de diminuir a classificação de crédito AAA dos EUA devido ao temor de que Washington não vá combater seus problemas fiscais.

O presidente propôs cortar 4 trilhões de dólares do déficit orçamentário dos EUA ao longo de 12 anos, por meio de cortes nos gastos e aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos --plano que é fortemente rejeitado pelos republicanos.

A questão de como reduzir o déficit, projetado para atingir 1,4 trilhão de dólares neste ano fiscal, subiu para o topo da agenda política das campanhas a presidente e no Congresso de 2012. Democratas e republicanos estão ansiosos por conseguir apoio para suas respectivas propostas.

Obama anunciou seu plano na semana passada e, desde que declarou formalmente sua candidatura à reeleição, no início deste semana, vem testando argumentos a apresentar ao público.

Sua viagem de três dias à Califórnia e ao Nevada lhe dará uma oportunidade de interagir com eleitores em relação à redução do déficit e outras questões econômicas, ao mesmo tempo em que levanta fundos para sua campanha.

Dados de pesquisas divulgados na quarta-feira sugerem que ele poderá encontrar plateias receptivas. Uma pesquisa ABC News/Washington Post com 1.001 eleitores mostrou que 72 por cento são favoráveis ao aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos e 78 por cento são contra a redução dos benefícios de saúde dos idosos. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais.

Obama, que diz que vai adiar o início de sua campanha formal enquanto se concentra em seus deveres na Casa Branca, está se adiantando em relação a seus rivais republicanos, a maioria dos quais ainda não declarou suas candidaturas formalmente.

Ao tratar da economia em eventos em dois Estados politicamente importantes, o presidente espera demonstrar seu engajamento em uma questão que seus futuros adversários provavelmente vão explorar como uma fraqueza política sua.

Os dados da pesquisa ABC News/Washington Post divulgados na terça-feira mostram que os índices de aprovação de Obama estão em patamar baixo quase recorde causado pelo pessimismo econômico crescente entre a população norte-americana.

Os republicanos criticaram Obama por não fornecer maiores detalhes sobre seu plano para reduzir o déficit e dizem que elevar os impostos vai prejudicar a frágil recuperação econômica do país.

De acordo com analistas, o próprio fato de focar tanta energia política sobre o déficit já constitui uma mudança importante.

“Hoje isso é tudo de que todo o mundo vem falando: reduzir o déficit”, disse Nigel Gault, economista da Global Insight. “Os termos do debate mudaram. Isso é um avanço.”

Mas tanto Obama quanto os republicanos continuam a ver sua credibilidade questionada por críticos externos.

Dois dias após o aviso dado pela S&P, o jornal francês Le Monde publicou um artigo na quarta-feira em que o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que falta aos EUA um plano de redução do déficit de médio prazo que seja digno de crédito.

Reportagem adicional de Kim Dixon, Alister Bull e David Morgan

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