21 de Abril de 2011 / às 00:04 / em 7 anos

Na sede do Facebook, Obama busca vibração de 2008

Por Jeff Mason

<p>Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fala em faculdade da Virg&iacute;nia, em 19 de abril de 2011. Obama come&ccedil;ou uma viagem &agrave; costa oeste dos EUA para recapturar a m&aacute;gica de sua campanha eleitoral de 2008. 19/04/2011 REUTERS/Jim Young</p>

PALO ALTO, EUA (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez na quarta-feira uma visita com jeito de evento de campanha à sede da rede social Facebook, numa tentativa de reacender a vibração juvenil que marcou sua candidatura presidencial em 2008.

Os democratas admitem que, para se reeleger em 2012, Obama precisará mobilizar muitas das mesmas forças que o apoiaram em 2008: um exército de eleitores jovens e entusiasmados, e também um grande contingente de eleitores independentes.

Em visita à sede do Facebook, na Califórnia, Obama buscou enfatizar seus vínculos com dezenas de milhões de pessoas que adotaram as redes sociais como método prioritário de comunicação.

“Meu nome é Barack Obama, e eu sou o sujeito que fez Mark (Zuckerberg) vestir paletó e gravata”, disse o presidente, referindo-se ao fundador do Facebook, de 26 anos, conhecido por seu estilo despojado -- ele foi ao evento de tênis, jeans e gravata.

A brincadeira ocorreu no início de um encontro virtual com eleitores, em que Obama -- que tirou o paletó -- respondeu a várias perguntas sobre como pretende reduzir o déficit orçamentário dos EUA, que deve chegar a 1,4 trilhão de dólares neste ano.

A proposta de Obama para isso é reduzir gastos públicos e aumentar a carga tributária para os norte-americanos mais ricos - como é o caso de Zuckerberg e do próprio Obama. “Por mim, tudo bem”, disse o jovem empresário.

Após o evento na sede do Facebook, Obama participaria de eventos democratas para a arrecadação de doações em San Francisco, e depois passaria por Las Vegas e Los Angeles antes de regressar na sexta-feira a Washington.

Jon Krosnick, professor de ciência política da Universidade Stanford, disse que aparecer ao lado de Zuckerberg é algo que pode melhorar a imagem de Obama junto aos jovens.

“Isso por si só é um caminho para re-energizar essa jovem geração, o que pode ser crucial para que ele seja reeleito”, disse Krosnick.

Obama saiu em campanha para defender seu plano de redução do déficit enquanto políticos e o mercado tentam se recuperar da ameaça feita pela agência Standard & Poor’s de rebaixar a nota de crédito AAA dos EUA.

Um possível rival republicano de Obama em 2012, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, disse que a S&P na verdade “rebaixou a presidência de Obama”, e que Obama deveria se reunir com funcionários da agência de rating para tentar recuperar a confiança deles.

QUESTÃO ECONÔMICA

O presidente propôs cortar 4 trilhões de dólares do déficit orçamentário dos EUA ao longo de 12 anos, por meio de cortes nos gastos e aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos --plano que é fortemente rejeitado pelos republicanos.

A questão de como reduzir o déficit subiu para o topo da agenda política das campanhas a presidente e no Congresso de 2012. Democratas e republicanos estão ansiosos por conseguir apoio para suas respectivas propostas.

Obama anunciou seu plano na semana passada e, desde que declarou formalmente sua candidatura à reeleição, no início desta semana, vem testando argumentos a apresentar ao público.

Sua viagem de três dias à Califórnia e ao Nevada lhe dará uma oportunidade de interagir com eleitores em relação à redução do déficit e outras questões econômicas, ao mesmo tempo em que levanta fundos para sua campanha.

Dados de pesquisas divulgados na quarta-feira sugerem que ele poderá encontrar plateias receptivas. Uma pesquisa ABC News/Washington Post com 1.001 eleitores mostrou que 72 por cento são favoráveis ao aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos e 78 por cento são contra a redução dos benefícios de saúde dos idosos. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais.

De acordo com analistas, o próprio fato de focar tanta energia política sobre o déficit já constitui uma mudança importante.

“Hoje isso é tudo de que todo o mundo vem falando: reduzir o déficit”, disse Nigel Gault, economista da Global Insight. “Os termos do debate mudaram. Isso é um avanço.”

Mas tanto Obama quanto os republicanos continuam a ver sua credibilidade questionada por críticos externos.

Dois dias após o aviso dado pela S&P, o jornal francês Le Monde publicou um artigo na quarta-feira em que o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que falta aos EUA um plano de redução do déficit de médio prazo que seja digno de crédito.

Reportagem adicional de Kim Dixon, Alister Bull, Peter Henderson, Alexei Oreskovic e David Morgan

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