23 de Março de 2012 / às 14:42 / em 6 anos

Samsung investe para encontrar design matador

Por Miyoung Kim

SEUL (Reuters) - Quando a Samsung Electronics se apressou a levar seu primeiro celular inteligente ao mercado, com medo do sucesso conquistado pelo Apple iPhone, alguns consumidores queimaram o produto ou o destruíram a marteladas em praça pública, para expressar sua insatisfação.

As queixas variavam de quedas de ligações a uma tela sensível a toques deficiente, e passavam por excesso de desligamentos imprevistos e falta de aplicativos.

“Era horrível”, diz Kim Sang-uk, 27, que comprou o Omnia no final de 2009, antes de começar em seu primeiro emprego. “Queria jogá-lo fora, mas, porque tinha contrato de dois anos com a operadora, não podia. Era o tipo de celular ao qual você diz ‘não’ mesmo que alguém o ofereça de graça.”

JK Shin, presidente da Samsung Mobile, admite que foi um período difícil. A companhia viu seu lucro de 1 trilhão de won (885 milhões de dólares) no segmento de telecomunicações, no primeiro trimestre de 2010, reduzido à metade no trimestre seguinte, quando um novo modelo do iPhone tomou o mercado.

“Estávamos enfrentando uma crise realmente séria”, disse Shin posteriormente.

SABONETE VS. PERFUME

Mas no 9o andar da sede da Samsung Electronics, em Seul, que abriga o centro de design da divisão de aparelhos móveis, Lee Minhyouk diz que não sentiu a pressão. O vice-presidente de design da Samsung Mobile e sua equipe já estavam trabalhando em um novo projeto, o Galaxy, e ele seria um rival digno do iPhone.

A Samsung vendeu 44 milhões de unidades do Galaxy desde seu lançamento, em junho de 2010, e no ano passado ultrapassou a Apple para se tornar a líder mundial em vendas de celulares inteligentes. O sucesso começou com o Omnia, diz Lee, 40, o mais jovem dos executivos de primeiro escalão da companhia.

“Sem o Omnia e os modelos anteriores da Samsung, não teria surgido o Galaxy. Existe uma conexão de design entre esses produtos”, declarou ele em entrevista em seu escritório. “Aqueles aparelhos não deveriam ser vistos como designs fragmentados. Compartilham de nossas preferências profundas em termos de tecnologia, cor e linguagem de design.”

O ingresso atabalhoado da Samsung no mercado de celulares inteligentes representa bem os pontos fortes e fracos do conglomerado sul-coreano.

Sua estratégia sempre foi a de promover a “execução rápida”, a de ser a primeira empresa a levar ao mercado um produto derivado eficiente, quando surge uma oportunidade. Mas ela não é conhecida como grande inovadora e difere muito da Apple, uma empresa capaz de literalmente criar um novo mercado com um produto inesquecível.

Para se tornar uma empresa verdadeiramente inovadora, a Samsung precisa explorar a arte, além da ciência, dizem seus críticos.

PERFUME VS SABONETE

“A Samsung é fantástica como fabricante de sabonete”, diz Christian Lindholm, vice-presidente de inovação na consultoria de design Fjord, sediada na Finlândia. “O produto garante a limpeza de quem o usa, ensaboa bem. Mas eles não sabem fazer perfumes, um segmento no qual as margens são significativamente maiores. O perfume é uma experiência. O perfume serve para seduzir, tornar a pessoa atraente, fazer com que se sinta bem. A pessoa ama o perfume que usa, e apenas gosta do sabonete.”

“Projetar algo que as pessoas amem é uma arte, e requer risco; a base é mais a experiência do que dados numéricos. A Samsung precisa aprender a liderar. Eles analisam demais as questões de criatividade, e lhes falta autoconfiança”, disse Lindholm.

“A Coreia do Sul precisa entrar logo na indústria da experiência”, acrescentou. “Creio que só lhes restem uns cinco anos antes que se tornem o novo Japão, sobrepujados pelos chineses, que estão aprendendo rapidamente a fazer sabonete.”

Se dinheiro fosse a resposta para a inovação, a Samsung certamente estaria entre os líderes mundiais, depois de investir 10 trilhões de wons (9 bilhões de dólares) em pesquisa e desenvolvimento, no ano passado.

A pesquisa Bloomberg BusinessWeek coloca a Samsung em 11o lugar entre as 50 empresas mundiais mais inovadoras; com isso, ela fica atrás da rival local LG Electronics, 7a colocada, e da japonesa Sony, que ocupa o 10o posto.

Parte da filosofia de design da Samsung é aproveitar sua capacidade de fabricar ela mesma os componentes usados em seus produtos, incluindo chips e telas -uma vantagem sobre a Apple, que tem de terceirizar quase todo esse processo.

PHABLET: UM POSSÍVEL SUCESSO?

O mais recente projeto de Lee, um novo modelo da linha Galaxy chamado Note, combina celular e um mini-tablet, e vem com uma caneta ao estilo dos velhos PDAs. Ainda que pareça imenso se comparado a um celular convencional, seus aplicativos eficientes e tela de alta definição devem agradar os adeptos dos vídeos e jogos.

O celular-tablet -ou phablet- vendeu mais de 2 milhões de unidades desde seu lançamento em outubro, e agradou o público da Consumer Electronics Show, janeiro em Las Vegas.

Celulares são a maior fonte de receita da Samsung, gerando lucro operacional de 8,3 trilhões de wons (7,4 bilhões de dólares) no ano passado. E a confiança do grupo tem crescido junto com seu conjunto de patentes, a companhia registrou mais de 5 mil delas no ano passado apenas.

Apesar disso, não há nenhum engenheiro de software ou designer entre os 17 Samsung Fellows, o prêmio da Samsung para recompensar os funcionários que fizeram as mais significativas contribuições para o sucesso da empresa. Lee espera mudar isso.

“Estou confiante que um dia a Samsung vai ter um produto que seja capaz de definir sua época, e eu espero que seja um dos meus.”

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