30 de Abril de 2013 / às 15:48 / em 5 anos

Oi tem melhora operacional no 1o tri; endividamento cresce

Por Sérgio Spagnuolo

RIO DE JANEIRO, 30 Abr (Reuters) - A Oi divulgou resultados operacionais sólidos no primeiro trimestre, com avanço na receita e na geração de caixa operacional, ajudados pelo desempenho em telefonia móvel e em serviços residenciais, mas o nível de endividamento superou o patamar máximo estipulado para pagamento de dividendos.

A operadora de telecomunicações enfrentou o receio de investidores nesse começo do ano sobre sua capacidade de cumprir metas estabelecidas para os próximos anos, após a saída de Francisco Valim do comando, em janeiro.

Uma delas diz respeito à política de remuneração de acionistas, no total de 8 bilhões de reais até 2015, que só seria implementada mediante um nível de endividamento máximo de 3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Neste ano o pagamento a acionistas está previsto em 2 bilhões de reais.

No primeiro trimestre, contudo, a dívida líquida do grupo disparou 63,3 por cento, para 27,5 bilhões de reais, levando esse índice de alavancagem para 3,05 vezes.

“O nível de endividamento da companhia está em linha com o esperado para este trimestre”, disse o diretor financeiro da empresa, Alex Zornig, em resposta a perguntas da Reuters feitas por email.

“Apesar do aumento ocorrido neste trimestre, a companhia está em processo de venda de ativos não estratégicos, o que manterá sua alavancagem controlada e permitirá a execução dos investimentos anunciados”, acrescentou.

A companhia espera ter um acréscimo de 1 bilhão de reais ao caixa “nos próximos meses” com a venda de direitos de uso de torres fixas, afirmou Zornig em teleconferência com analistas.

“Já realizamos a venda de direito de uso de torre fixa, e que nos próximos meses devem entrar 1 bilhão de reais, só nesse assunto específico, de caixa”, disse o executivo.

Esse negócio refere-se a 4.000 torres, segundo ele, acrescentando que a Oi “tem um potencial maior do que isso” para potenciais novas vendas. A conclusão da operação está sujeita à aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A companhia encerrou o trimestre com um saldo de caixa de 6,058 bilhões de reais ante 16,012 bilhões de reais ao final dos três primeiros meses do ano passado.

Mesmo com o nível de endividamento, a Oi não tem problemas de liquidez nem de obtenção de crédito, disse Zornig. “Tem fila de bancos querendo emprestar para nós, nós não queremos exatamente para manter nosso perfil de dívida longo e num custo razoável”.

Às 12h42, a ação preferencial da empresa subia 2,98 por cento, a 5,18 reais.

RESULTADO OPERACIONAL

No âmbito operacional, o segmento móvel impulsionou os negócios, puxado principalmente por seu foco em celulares pós-pagos. Isso ajudou a compensar uma queda de 3,8 por cento na receita média por usuário (Arpu, na sigla em inglês), um indicador de rentabilidade, que encerrou o trimestre a 20,5 reais, afetado por uma redução na receita com interconexão da rede móvel.

O segmento pós-pago disparou 19,6 por cento no primeiro trimestre na comparação anual, para 6,66 milhões de linhas, ajudando a receita líquida móvel a crescer 10 por cento no período, para 2,3 bilhões de reais.

Com isso, a receita líquida total de janeiro a março subiu 3,5 por cento, para 7 bilhões de reais, auxiliada também por um avanço de 5,2 por cento na receita do segmento residencial, cujo Arpu cresceu 9 por cento no trimestre. Analistas esperavam, em média, receita de 7,15 bilhões de reais.

A geração de caixa operacional, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), avançou 6,6 por cento, para 2,15 bilhões de reais, em linha com as previsões. A margem no período passou de 29,7 para 30,5 por cento.

Os investimentos da Oi totalizaram 1,7 bilhão de reais de janeiro a março, alta de 55 por cento ano a ano, principalmente por conta da expansão das redes 3G e 4G e para aumento da capacidade e alcance da rede fixa.

O lucro líquido da Oi totalizou 262 milhões de reais no primeiro trimestre, ante 444 milhões apurados um ano antes. Segundo a empresa, por conta da reestruturação societária aprovada em fevereiro de 2012, esses números não têm uma base de comparação precisa, considerando que referem-se a um mês de resultados da nova holding Oi S.A. e a dois meses da antiga Brasil Telecom.

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