5 de Junho de 2013 / às 12:47 / em 4 anos

ANÁLISE-Oi recupera ânimo com Zeinal Bava, mas desafios continuam

Por Sérgio Spagnuolo e Filipe Alves

SÃO PAULO/LISBOA, 4 Jun (Reuters) - A nomeação de Zeinal Bava, nesta terça-feira, para comandar a Oi dá mais confiança aos investidores de que o grupo de telecomunicações poderá atingir os resultados prometidos para os próximos anos, mas isso não significa que o caminho a ser percorrido pela companhia será mais fácil.

Bava tem uma reputação renomada no setor, tendo sido eleito por quatro vezes o melhor CEO do setor de telecomunicações na Europa, após liderar a Portugal Telecom, uma das principais acionistas da Oi, por cinco anos e conduzir empreendimentos rentáveis, como a implementação do 4G e o impulso de TV paga no país lusitano.

Antes do anúncio desta terça-feira, Bava presidia o Comitê de Engenharia e Redes, Tecnologia e Inovação e Oferta de Produto da Oi, no qual obteve conhecimento dos negócios da operadora brasileira e atuava ativamente, inclusive na busca por sinergias de produtos e tecnologias entre as duas empresas.

Analistas consultados pela Reuters unanimamente manifestaram satisfação com a indicação do novo CEO da Oi, afirmando que, além de ter expertise de executivo do setor, ele conhece bem a operadora brasileira.

Investidores também aprovaram a notícia, levando as ações da companhia dispararem na Bovespa. A ação preferencial fechou com alta de 16,8 por cento, enquanto a ordinária subiu 15,71 por cento.

“A ida de Zeinal Bava para a liderança executiva da Oi constitui um passo para uma maior aproximação e aproveitamento de sinergias entre as duas empresas”, afirmou Guido dos Santos, analista do português Caixa Banco de Investimento.

Mas Bava tem um percurso difícil à frente e será preciso mais do que um bom currículo para superar alguns receios do mercado, disseram analistas e investidores.

Uma das principais preocupações é a capacidade da empresa de conciliar um grande plano de investimentos de 6 bilhões de reais por ano, uma generosa política de dividendos de 8 bilhões de reais até o fim de 2015 e uma dívida líquida crescente.

No primeiro trimestre a dívida líquida do grupo disparou para 27,5 bilhões de reais, levando o índice de alavancagem da dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 3,05 vezes, acima do patamar máximo de 3 vezes estipulado para pagamento de dividendos.

“O que o mercado está dizendo é que com o tanto de caixa sendo gasto, alguma coisa tem que ceder, e o que tem que ceder é o dividendo”, disse um investidor minoritário que pediu anonimato. “A não ser que a empresa queira parar de investir”.

Esse questionamento, aliado à falta de um CEO permanente desde o começo do ano, levou as ações preferenciais da Oi acumularem desvalorização de 46 por cento neste ano até o fechamento de segunda-feira.

“Considero que o desafio número um é recuperar o valor que as duas empresas perderam em bolsa no último ano e captar as sinergias operacionais e a nível de ‘know how’ entre ambas”, afirmou Nuno Vasconcellos, CEO do grupo Ongoing, segundo maior acionista da Portugal Telecom, com fatia de 10 por cento.

Mas existe a esperança de que Bava seja a pessoa certa para lidar com alguns desses problemas, considerando sua competência e também articulação junto a outros grandes acionistas, como os grupos brasileiros Jereissati e Andrade Gutierrez, avaliam analistas e agentes do mercado.

“Alguns assuntos que deram um pouco de receio nos investidores, como por exemplo a dívida da Oi, o plano de pagamento de dividendos deles, tudo isso não sumiu”, disse Marc Sauerman, gestor da JMalucelli Investimentos, que tem ações da Oi na carteira de dividendos.

“Esses assuntos ainda estão na mesa, mas pelo menos os investidores estão enxergando que tem alguém aparentemente competente que pode tomar conta do recado”, acrescentou.

FRONT OPERACIONAL

Analistas consideram que Zeinal Bava deve colaborar principalmente com a melhora operacional, um dos grandes desafios da empresa, que enfrenta forte concorrência nos segmentos fixo e móvel e precisa expandir os serviços de maior valor agregado, como TV paga por IPTV.

“A Portugal Telecom já está preparada para o futuro, enquanto a Oi ainda se está a preparar”, disse Vasconcellos, da Ongoing, referindo-se ao fato de a empresa portuguesa ter investido em novas tecnologias como a fibra óptica, 4G e lançado novas ofertas convergentes.

Além disso, apenas nos últimos dois trimestres a Oi conseguiu estancar a perda de receita que vinha tendo nos anos recentes, e ainda não está certo para muitos investidores se a companhia vai conseguir entregar os resultados esperados.

A Oi tem como meta chegar a um Ebitda entre 9 bilhões e 9,8 bilhões de reais neste ano, com uma receita líquida de serviços de 28 bilhões a 29 bilhões de reais.

Como uma amostragem do modelo bem sucedido da Portugal Telecom no âmbito operacional, Bava disse nesta terça-feira que quer cristalizar cruciais sinergias com a Portugal Telecom, criando uma empresa luso-brasileira com projeção global.

“A PT celebrou uma parceria estratégica com a Oi, que definiu como objetivo o desenvolvimento de um projeto luso-brasileiro de telecomunicações de projeção global”, disse Bava em declarações enviadas à Reuters.

Reportagem adicional de Danielle Assalve, em São Paulo; Edição de Raquel Stenzel

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