24 de Setembro de 2013 / às 10:47 / em 4 anos

Telefónica vai aumentar participação na Telecom Italia

MILÃO, 24 Set (Reuters) - O grupo espanhol Telefónica firmou um acordo para gradualmente assegurar o controle na Telecom Italia e em seu lucrativo negócio na América do Sul, sem precisar fazer uma oferta pública de aquisição integral.

Homem passa na frente de edifício da Telefónica, no centro de Madri, 26 de março de 2013. O grupo espanhol Telefónica está aumentando sua participação na Telecom Italia sob um acordo complexo que fortalecerá a influência da companhia sobre uma importante rival na América do Sul, enquanto permitirá a sócios italianos saírem de um investimento não lucrativo. REUTERS/Juan Medina

O acordo de 860 milhões de euros (1,2 bilhão de dólares) em dinheiro e ações firmado nesta terça-feira permitirá à Telefónica aumentar sua fatia na Telco, holding que controla cerca de 22 por cento da Telecom Italia, e que outros investidores eventualmente saiam do negócio.

A Telefónica, que tem dívida de quase 50 bilhões de euros (67,46 bilhões de dólares), quer ter influência em relação ao que acontece com a Telecom Italia e sua operadora de celulares brasileira TIM Participações mas a um custo mínimo.

A operação ainda tem que receber aprovação de reguladores brasileiros, que poderão forçar a Telecom Italia a vender a TIM Participações se a Telefónica adquirir toda a Telco, disse uma fonte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), à Reuters.

Apesar da dívida de quase 29 bilhões de euros (39,13 bilhões de dólares) e margens em declínio no mercado doméstico, a Telecom Italia era vista como um potencial alvo de aquisição, atraindo interessados como o magnata egípcio Naguib Sawiris e o grupo Hutchison Whampoa, sediado em Hong Kong. O grupo norte-americano de telecomunicações AT&T também teve contatos com a empresa, afirmaram pessoas com conhecimento do assunto.

O vice-ministro italiano da Indústria, Antonio Catricala, descartou na segunda-feira a intervenção do governo para manter o ex-monopólio estatal sob controle nacional, mas expressou seu apoio a um plano para vender a rede de telefonia fixa da empresa para um fundo apoiado pelo Estado.

A decisão do governo de não intervir poderia ter implicações para outros grandes grupos italianos, como a Alitalia que está sob interesse da Air France-KLM, acrescentando à lista de grandes grupos italianos adquiridos por acionistas estrangeiros.

Mas, por enquanto, o grupo espanhol assegurou que os parceiros italianos que procuram reduzir a sua exposição à Telecom Italia não possam vender suas ações para outro competidor.

“Acreditamos que este investimento adicional feito pela Telefónica na Telco foi o preço que a empresa estava disposta a pagar para manter suas opções em aberto na Telecom Italia e manter distante qualquer outro terceiro interessado na Telecom Italia e, especialmente, nos seus ativos brasileiros”, afirmaram analistas do banco Espirito Santo.

Alguns analistas acreditam que a Telefónica poderá pressionar a venda e desmembramento da TIM, estimada em cerca de 10 bilhões de dólares, o que pode fortalecer a sua posição no Brasil, onde é dona da Vivo.

CRESCIMENTO

Pelo acordo, a Telefónica aumentará sua participação na Telco, que é responsável por nomear a maioria dos membros do conselho da Telecom Italia, para 66 por cento e, posteriormente, para 70 por cento através de dois aumentos de capital.

A operação avalia as ações da Telecom Italia detidas pelos seus parceiros italianos na Telco em 1,09 euro por papel. Integram o grupo de investidores a seguradora Generali e os bancos Intesa Sanpaolo e Mediobanca.

O valor corresponde a quase duas vezes o preço de mercado da ação, mas ficou abaixo do preço contábil registrado por dois dos investidores. Todos eles têm registrado redução no valor contábil do investimento feito em 2007.

A companhia espanhola usará algumas de suas ações para pagar parte da dívida da Telco.

Mas seus direitos de voto na Telco vão permanecer inalterados em 46 por cento --e a empresa não poderá comprar a participação de seus parceiros na Telco--, a não ser que o plano seja aprovado por reguladores antitruste, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no Brasil.

Além disso, os investidores italianos na Telco vão manter o direito de desfazer o pacto de acionistas em junho de 2014, deixando alguma incerteza sobre o futuro.

Reportagem adicional de Leonardo Goy, em Brasília

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