December 7, 2018 / 11:17 AM / 3 days ago

DIs recuam após deflação mais forte do IPCA; dólar forte segura movimento

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros recuavam nesta sexta-feira, após mais uma rodada de indicadores apontando fraqueza da inflação e que reforçam a percepção de manutenção da Selic por tempo prolongado.

Imagem ilustrativas de moeda de real 15/10/2010 REUTERS/Bruno Domingos

O IPCA de novembro registrou deflação de 0,21 por cento, superior à queda de 0,10 por cento prevista pelos economistas em pesquisa da Reuters. Em 12 meses até novembro, a inflação acumulada está em 4,05 por cento, abaixo do centro da meta de 4,50 por cento. A previsão era de que ficaria em 4,19 por cento.

“Apesar da surpresa com o número cheio, a média dos núcleos ficou perto do que esperávamos...não muda o cenário de que os juros devem subir somente no segundo semestre (do próximo ano), mas o mercado readequa as probabilidades desse cenário” e gera ajustes na curva de juros, explicou o economista sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano.

O recuo do IPCA teve contribuição dos preços de combustíveis e de energia, cujas quedas eram esperadas, e levou à maior deflação para o mês de novembro em 24 anos.

“O número mais baixo do IPCA pode fomentar novos ajustes no cenário de inflação no curto prazo, já que dificilmente o indicador de 2018 ficará acima de 3,80 por cento”, acrescentou Serrano.

A curva a termo precificava nesta sessão 98 por cento de chances de manutenção da taxa Selic em 6,5 por cento no encontro do BC que termina em 12 de dezembro, ante 97 por cento na véspera. O restante indicava alta de 0,25 ponto percentual, mostram dados da Reuters.

Para o próximo ano, a curva precifica 1,34 ponto porcentual de aumento da Selic, pouco menos do 1,46 ponto da véspera, com a primeira alta em agosto.

Além do IPCA, o IGP-DI já havia registrado a primeira deflação em quase um ano e meio ao cair 1,14 por cento no mês passado, resultado bem mais fraco do que o recuo de 0,60 esperado pelas estimativas colhidas pela Reuters.

O forte avanço do dólar ante o real nesta sessão, no entanto, continha o movimento na curva de juros, com os investidores ainda monitorando o cenário externo depois de uma semana bastante nervosa em termos geopolíticos e comerciais.

Os dados do mercado de trabalho norte-americano que saem nesta manhã podem ajudar a aliviar a aversão ao risco externa se vierem mais fracos, reforçando a leitura de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, pode interromper antes do previsto o processo de aperto monetário no país.

Na véspera, dirigentes do Fed falaram sobre a proximidade da taxa de juros neutra, indicando essa leitura, já trazida na semana passada pelo chairman da autoridade, Jerome Powell, e pela ata do último encontro de política monetária do banco central do país.

Menos juros nos EUA pode deixar aplicado em outras praças recursos que tenderiam a ir para lá em trajetória de aperto monetário.

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