December 18, 2018 / 6:43 PM / 7 months ago

DIs fecham com leves altas com fluxo após ata do Copom, à espera do Fed

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros encerraram a terça-feira com leves altas, abandonando o comportamento ‘de lado’ da primeira etapa da sessão, com fluxo respaldando uma expectativa cautelosa de investidores para o comunicado do encontro de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira, em tempos de preocupação com uma desaceleração econômica global.

“Espera-se (que o Fed) aumente sua taxa básica de juros pela quarta e última vez em 2018... Embora os temores de aumento das taxas de juros tenham assustado os mercados ao longo do ano, essas preocupações aumentaram no último mês, à medida que as expectativas de inflação e crescimento (nos EUA) recuaram”, destacou, em relatório, a CM Capital Markets.

Nas últimas semanas, cresceram os receios sobre uma desaceleração da economia global, em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China, e também de recessão na maior economia mundial, sobretudo depois que a curva de juros norte-americana começou a se achatar, fato que antecedeu as últimas recessões naquele país.

Neste ambiente, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar a atuação do banco central norte-americano. Na véspera, disse que a autoridade monetária não deveria subir novamente os juros, defendendo que sigam baixos para apoiar a economia do país de forma mais ampla.

Nesta terça-feira, alertou novamente os membros do Fed para “não cometerem outro erro”.

O Fed encerra sua reunião de dois dias na quarta-feira e a expectativa majoritária é de que subirá a taxa de juros pela quarta vez neste ano. O mercado quer pistas sobre a trajetória à frente, depois que autoridades do banco central indicaram que os juros estão perto da taxa neutra.

Até o momento, o Fed estima três novos aumentos em 2019 e um derradeiro no início de 2020.

Internamente, o destaque foi a ata do último encontro de política monetária do Banco Central que, no entanto, veio em linha com o conteúdo do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado após a manutenção da Selic em 6,50 por cento, na quarta-feira passada.

“A ata do Copom indicando que ‘cautela, serenidade e perseverança nas decisões têm sido úteis para a perseguição de seu objetivo’ nos leva a crer que, de fato, teremos uma maior manutenção do que o esperado caso o cenário não se altere abruptamente (principalmente externo)”, disse o operador da Renascença Corretora Luis Felipe Laudísio.

No documento, o BC traçou um quadro favorável para a inflação, que joga para um futuro indeterminado eventual início de aperto nos juros após deixar de mencionar essa possibilidade em suas comunicações, mas alertou que os riscos altistas para o IPCA seguem fortes em seu radar. Dois novos indicadores divulgados nesta manhã confirmam a inflação sob controle

A ata acabou tirando o viés mais “dovish” daqueles que chegaram a imaginar que a atividade e inflação fracas poderiam fazer o BC a voltar a promover cortes na Selic.

“Nesse sentido, podemos dizer que foi menos ‘dovish’, o que ajudou a içar os juros futuros. Houve fluxo tomador nos DIs mais longos”, comentou um profissional da mesa de renda fixa de uma corretora local.

A equipe do banco Rabobank também acredita que o BC aproveitou a ata para suavizar um pouco o tom deixado pelo comunicado na última semana, que teria sido “mais fraco do que o esperado”, de acordo com relatório a clientes.

“Acreditamos que o BC procurou enfatizar sua neutralidade sobre as decisões políticas futuras, referindo-se ao equilíbrio ainda assimétrico (ou distorcido) dos riscos para a inflação e destacando abordagem cautelosa como princípio político”, escreveu a instituição ao ponderar, no entanto, que sua visão segue sendo de estabilidade da Selic em 2019 caso as reformas sejam aprovadas, em ambiente de inflação controlada.

A curva a termo precificou para o primeiro encontro de política monetária do BC em 2019, em 5 e 6 de fevereiro, 84 por cento de chance de estabilidade da taxa, com o restante indicando alta de 0,25 ponto percentual. Na véspera, 76 por cento das chances indicavam chance de manutenção.

Veja as taxas dos principais contratos de DIs no fechamento:

mês ticker último fechamento variação

(%) anterior (%) (p.p.)

MAR9 6,42 6,415 0,005

JAN0 6,65 6,6 0,05

JAN1 7,51 7,47 0,04

JAN23 8,86 8,79 0,07

JAN25 9,52 9,44 0,08

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