August 22, 2018 / 7:50 PM / 3 months ago

DIs passam por correção após alta recente por temor eleitoral

SÃO PAULO (Reuters) - Os contratos futuros de juros encerraram a quarta-feira em queda, com os investidores corrigindo parte da forte alta dos últimos dias após pesquisas eleitorais mostrarem dificuldades para o candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB), preferido do mercado, e a possibilidade de o PT ir para o segundo turno em outubro.

“(A taxa dos DIs) subiu demais nos últimos dias, estava muito exagerado”, afirmou o economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira.

A taxa do DI com vencimento em janeiro de 2023, por exemplo, subiu 0,74 ponto percentual nesta semana até a máxima desta sessão, quando começou a perder força. (Ver tabela)

O movimento de correção ganhou um pouco mais de força após a divulgação da ata do Federal Reserve, banco central norte-americano, à tarde e que reforçou a indicação que continuará subindo os juros de forma gradual.

Até agora, o Fed já elevou a taxa de juros duas vezes neste ano e os agentes econômicos acreditam que outras duas altas ocorrerão neste ano diante da força econômica do país.

Em boa parte desta sessão, os DIs subiram com mais cautela diante do cenário político a pouco tempo da eleição de outubro.

“Lula com 39 por cento das intenções de voto... deve ampliar os receios do mercado de um resultado eleitoral adverso para as reformas”, escreveu a CM Capital Markets.   

Pesquisa Datafolha mostrou que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, lidera a corrida presidencial com 22 por cento das intenções de voto quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não aparece na disputa, seguido por Marina Silva (Rede), com 16 por cento. Neste cenário, Alckmin tem 9 por cento.

Na semana, pesquisas da CNT/MDA e Ibope já haviam mostrado quadro semelhante, que acabou estressando os mercados e levando o dólar ao patamar de 4 reais. Alckmin é visto pelo mercado como um político comprometido com reformas que considera importantes para o ajuste fiscal do país.

No cenário do Datafolha em que Lula aparece como candidato, o ex-presidente lidera com 39 por cento de apoio e que 48 por cento dos entrevistados não votariam em um candidato apoiado por Lula, mas que 31 por cento disseram que votariam com certeza e 18 por cento, talvez.

“Apesar de Haddad estar fraco no cenário em que é o candidato do PT, há grande possibilidade de Lula transferir boa parte de seus votos para ele. Cada vez mais o mercado começa a antecipar um segundo turno entre PT e PSL”, afirmou o gestor de derivativos de uma corretora local, referindo-se ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que deve substituir Lula, preso desde abril passado.

O nervosismo do mercado levou à adoção de posições defensivas que já levaram o dólar para acima de 4 reais, trajetória que pode impulsionar a inflação doméstica, por ora bastante comportada. O dólar também corrigiu um pouco, mas se manteve acima dos 4,05 reais.

A curva a termo precificou nesta sessão 85 por cento de chances de alta de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, sobre 92 por cento na véspera, com o restante indicando manutenção da taxa, segundo operadores. A Selic está no piso histórico de 6,50 por cento ao ano.

Veja as taxas dos principais contratos de DIs às 16:30:

mês ticker último fechamento variação

(%) anterior (p.p.)

(%)

OCT8 6,437 6,44 -0,003

JAN9 6,75 6,78 -0,03

JAN0 8,41 8,52 -0,11

JAN21 9,56 9,66 -0,1

JAN23 11,21 11,35 -0,14

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