August 23, 2018 / 7:42 PM / 3 months ago

DIs sobem com mercado externo e cena política local

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam a quinta-feira em alta, ainda impactadas pela cautela com a cena eleitoral doméstica, mas com reforço do cenário externo, após nova rodada de tarifas comerciais entre Estados Unidos e China.

A notícia de que o registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só deve ser julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o início da campanha eleitoral no rádio e na televisão acabou ampliando o movimento de aversão ao risco.

“Não aparecem vendas novas, e quando surgem notícias ruins, acontece isso (taxas sobem)”, afirmou o operador de renda fixa de um banco nacional.

Há dias o mercado tem ficado cada vez mais defensivo diante da cena política, com a aproximação das eleições presidenciais de outubro e após pesquisas de intenção de votos mostrarem que o candidato que mais agrada aos investidores, Geraldo Alckmin (PSDB), seguia sem decolar. Também contribuía a possibilidade de o PT ir para o segundo turno da disputa, cenário até então não previsto pelos investidores.

Neste sentido, o estresse ficou maior nesta tarde, após o ministro Roberto Barroso, relator do registro de Lula no TSE, determinar a intimação da defesa do ex-presidente e dar sete dias de prazo para os advogados rebaterem os pedidos apresentados para barrar a candidatura com base na Lei da Ficha Limpa.

Assim, o registro da candidatura do líder petista, que foi alvo de 16 impugnações, só deve ser julgado TSE após o início da campanha eleitoral no rádio e na televisão, afirmaram à Reuters fontes com conhecimento do caso.

O mercado esperava que o prazo fosse menor, de modo a evitar que Lula, que aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto, participasse do horário eleitoral gratuito que começa no dia 31 agora.

Lula deve ser substituído pelo ex-prefeito de São Paulo e vice na sua chapa, Fernando Haddad, com os investidores temendo o potencial de transferência de votos. Lula, que está preso desde abril por crime de corrupção e lavagem de dinheiro, é visto pelo mercado como um candidato menos comprometido com o ajuste fiscal do país, ao contrário de Alckmin.

Nesta sessão, no entanto, o foco se voltou para o mercado internacional em grande parte do tempo, onde o dólar avançava ante uma a cesta de moedas fortes e também divisas de países emergentes, com EUA e China intensificando a guerra comercial com tarifas de 25 por cento sobre 16 bilhões de dólares em produtos um do outro.

“Ninguém quer ficar vendido... as posições têm variado muito pouco”, resumiu o operador da corretora Renascença, Luis Felipe Laudísio.

Estar vendido numa posição é apostar na baixa, no caso, das taxas dos contratos futuros de juros. Não é o que está acontecendo, já que os investidores até tentam engatar alguma correção, mas logo voltam atrás.

Contribuiu para o movimento o reforço dado na véspera pelo Federal Reserve, banco central norte-americano, de que continuará aumentando os juros de forma gradual. O próximo aumento deve ocorrer em setembro, acredita o mercado. Até agora, o Fed já subiu o juro duas vezes em 2018 e deve subir outras duas até dezembro.

Juros mais altos nos Estados Unidos podem atrair para lá recursos aplicados em outras praças, como a brasileira, sobretudo diante do risco maior.

Internamente, a curva a termo precificou nesta sessão 96 por cento de chances de alta de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, sobre 85 por cento na véspera, com o restante indicando manutenção, segundo operadores. A Selic está hoje no piso histórico de 6,50 por cento ao ano.

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